segunda-feira, 29 de abril de 2019

República Parlamentarista do Brasil - parte 1: assim começa a solução!

Passados 34 anos daquele fatídico 15 de março de 1985, em que o General Figueiredo saiu pela porta dos fundos do Palácio do Planalto, se negando a entregar a faixa presidencial a José Sarney, estamos presenciando os últimos suspiros da nova república. Governos capitaneados principalmente por PSDB, PMDB e PT, e alguns outros, menos importantes, foram os protagonistas deste tremendo fracasso institucional.

Depois de 1984, pelas mãos dos civis, ao longo dos anos, vivemos a falência do presidencialismo e a degradação dos três poderes constitucionais, enterrando o “país do futuro” que nos prometeram três décadas atrás. O futuro chegou, dominado pela violência, corrupção sistêmica e descaso total com a população, que sobrevive sem saúde, sem educação e sem segurança.

O toma-lá-dá-cá com dinheiro público é o maior câncer da política nacional, personificado no chamado presidencialismo de coalizão, que na verdade é apenas um apelido jeitoso para uma politicagem suja e rasteira que enche os bolsos de quase toda a classe política e rega diariamente a corrupção que assola o país, destruindo assim as últimas bases que sustentam a própria noção de democracia. O fundo do poço!

É urgente repensar o sistema de governo do país. Mudanças profundas são essenciais para qualquer esperança de melhoria estrutural, pois sem elas jamais conseguiremos superar a terrível situação política e social em que nos encontramos.

Fala-se muito na reforma da previdência como o “santo graal” que vai acabar com todas as mazelas e iniciar um período de ouro para a nação. É uma reforma importante, claro, principalmente em relação às aposentadorias do funcionalismo público, onde está o verdadeiro rombo.

Entretanto, mais urgente para o país hoje é fazer uma reforma tributária para desburocratizar e desonerar a produção e impulsionar a geração de empregos. Mas isso tudo somente será possível se antes, bem antes, for realizada uma profunda REFORMA POLÍTICA, sem a qual todas as outras reformas irão por “água abaixo” por pura falta de vontade política. Este é o grande nó.

Por isso tudo, garanto a vocês: não existe a menor possibilidade de se colocar este país no mundo desenvolvido sem mudar o cerne do sistema presidencialista. A única saída é o parlamentarismo. E não é qualquer parlamentarismo: não dá para sair copiando qualquer país ou modelo. O Brasil precisa de um modelo próprio, mais rígido, com pouca margem para manobras políticas e "criatividades" constitucionais. Vou explicar por que.

Todos os países desenvolvidos do mundo possuem sistema de governo parlamentarista e moeda forte. Nações como Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canada, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, Suécia e Suíça, com suas moedas conversíveis – praticamente todas – variam da República Parlamentarista para o Parlamentarismo Monárquico (Monarquia Constitucional), com alguns ajustes de acordo com as realidades locais, mas TODOS fundamentados no sistema parlamentarista. As moedas fortes são o euro, a libra, o dólar canadense, o dólar australiano, o franco suíço, as coroas sueca, dinamarquesa e norueguesa, o yen e o dólar neozelandês.

A única exceção é os Estados Unidos da América. Entretanto não podemos comparar os EUA com os demais países citados, uma vez que a sustentação política do poder americano é menos influenciada por diretrizes econômicas e muito mais alicerçada sobre dois pilares que os demais países não possuem: (i) capacidade de emitir moeda indefinidamente, aceita mundialmente, sem maiores obstáculos orçamentários e legais (dólar é a moeda global) e (ii) capacidade bélica/militar/nuclear, com o maior orçamento militar do planeta, armas nucleares de primeira geração e presença militar em todos os continentes através de bases estrategicamente dispostas no espaço geopolítico mundial.

Os demais países desenvolvidos do mundo não possuem estas “vantagens competitivas”, não sendo razoável a comparação política e econômica. Como o Brasil também não possui estas vantagens, deixamos os americanos fora da lista. Compreendido?

Assim, excluindo os EUA, nenhum país com sistema de governo presidencialista faz parte dos países mais desenvolvidos do mundo. Eu disse NENHUM. Somente países subdesenvolvidos são governados sob o sistema presidencialista. Isto é fato e ajuda a explicar os motivos pelos quais estes países são subdesenvolvidos.

Então, se vocês sonham em ver o Brasil entre os países mais importantes do mundo, é melhor começar a estudar o sistema parlamentarista e pressionar nossos parlamentares para viabilizarem mudanças neste sentido. Lembrando que nossa Constituição somente permite mudança no sistema de governo através de emenda constitucional e consulta popular prévia, via referendo.

Mas se o parlamentarismo é o melhor sistema de governo, porque nunca foi defendido e adotado no Brasil? Essa é fácil de responder: o parlamentarismo é bom para a sociedade, mas ruim para os políticos corruptos. E, salvo raras exceções, o que mais temos no Brasil são políticos corruptos, e eles não querem o parlamentarismo, pois é muito mais fácil negociar propinas no presidencialismo de coalisão. Então, esse é um tema considerado tabu, um daqueles assuntos que os políticos detestam colocar em pauta. O PRESIDENCIALISMO FACILITA A CORRUPÇÃO, POR ISSO É O SISTEMA PREFERIDO DOS POLÍTICOS.

Por fim, para concluir este primeiro artigo sobre o parlamentarismo brasileiro, três observações importantes:

- Não confiem quando algum político importante, tutelado por algum ministro de corte superior, diz estar formulando uma proposta de parlamentarismo para o Brasil, ou de semipresidencialismo, como fizeram o ex-presidente Temer junto com o Ministro Gilmar Mendes em 2017. Desconfiem, é mais provável que queiram implantar algo parecido com o parlamentarismo, um “puxadinho” bem ao estilo brasileiro, para dar errado mesmo e desacreditar o sistema perante a sociedade;

- O parlamentarismo é o melhor dos mundos? Não, mas é o sistema MENOS CORRUPTÍVEL. Não é perfeito, mas é bem melhor que o presidencialismo e é fruto da maturidade política. Não é por acaso que é adotado por países milenares, que já existiam e respiravam política muito antes do Brasil ser descoberto;

- O Brasil não é para amadores. Se existir alguma chance de algo bom não dar certo nestas bandas, é bem possível que dê errado mesmo. Copiamos muitas experiências ruins de outros países e dificilmente alguma coisa boa, e, mesmo assim, quando algo de bom é colocado em prática, geralmente fracassa pelo caminho. Coincidência ou triste destino? Não, sabotagem mesmo.

Pois bem, no próximo post retornaremos ao tema com o objetivo de pensar num modelo de parlamentarismo para o Brasil, inspirado nos sistemas italiano, francês e português, porém, um pouco mais rígido e “engessado” em relação a estes, justamente para coibir as sabotagens que virão para tentar desacreditar o sistema, após a sua implementação. Afinal, estamos no Brasil e sabemos do que os nossos políticos são capazes. Todo cuidado é pouco.






Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...