sexta-feira, 28 de julho de 2017

Vai um IPO aí?

Porque as grandes empreiteiras nacionais não aproveitaram o “boom” dos IPO entre 2007 e 2013 para abrir o capital?

O que as grandes empreiteiras Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Mendes Junior... têm em comum, além de estarem todas enroladas até o pescoço na Operação Lava Jato?

Algo que ninguém na mídia até hoje percebeu ou comentou. Nenhuma delas aproveitou o período altamente favorável proporcionado nos últimos anos para se tornar uma sociedade anônima de capital aberto e captar recursos no mercado de capitais, uma das melhores e mais baratas fontes de financiamento existentes no mercado, senão a melhor.

Tenho muita curiosidade sobre isso. Ao mesmo tempo em que quase todas as grandes empresas de vários outros setores foram por este caminho, abrindo seu capital através do processo conhecido como IPO – Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial de Ações, em português - as nossas famosas empreiteiras, gigantes do setor, preferiram continuar no velho modelo.

Mas também tem aquele diabinho sabe, que fica no ouvido da gente perguntando: se eram “donas” do Brasil e mandavam nas empresas públicas e nos políticos que detinham a “caneta das nomeações” e a “chave do cofre” do orçamento, não precisavam mesmo abrir o capital, né? Para que abrir capital se eram “sócias” do maior parceiro comercial que uma empresa pode ter no Brasil: o Tesouro Nacional?

O grande inconveniente de abrir o capital, se transformando em uma sociedade por ações de capital aberto, é ter que aumentar a transparência das operações e divulgar informações relevantes ao mercado. São as regras de governança corporativa, novo mercado e outras, reguladas pelo Banco Central, Bovespa e CVM, dentre outros.

Será que todas estas empreiteiras pesaram os prós e contras e concluíram que era melhor manter suas informações “fechadas” e seguir “mamando” nos recursos públicos sobre os quais tinham ingerência política? É uma pergunta teórica, claro. É o diabinho pensando...

Esta é a minha teoria para explicar os motivos pelos quais estas empresas deram as costas para o mercado de capitais brasileiro no melhor momento que tivemos nos últimos 30 anos: ainda melhor que captar recursos baratos no mercado acionário é poder fazer isso diretamente dos cofres públicos, via BNDES, BB, CEF, fundos governamentais, FGTS, dentre outros, superfaturando obras e pagando propinas a políticos e governantes. Tudo isso financiado com os recursos dos pagadores de impostos, todos nós, como sempre, afinal estamos falando do Brasil, né?

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Você é útil para o PIB do seu país?

Alguma vez você produziu um pé de milho? Alguma vez você produziu um quilo de feijão ou de arroz? Você já fabricou um par de sapatos, ou um prego que seja? Ou talvez tenha produzido uma camisa ou uma calça?

Você já trabalhou como motorista de um caminhão na área de logística e abastecimento, que leva alimentos da distribuidora para o supermercado? Ou atuou em uma empresa que fabrica peças para a produção de máquinas ou veículos?

Se a resposta for não, então temos alguma coisa em comum, pois eu também, em quase 50 anos de vida nunca produzi nada para agregar valor ao PIB do meu país. Todas as atividades citadas nas perguntas acima fazem parte do processo de criação de riqueza do país, de forma direta ou indireta, ou seja, fazem parte da composição do Produto Interno Bruto.

O PIB é a soma de todos os produtos produzidos por uma nação, com algumas regras e alguns conceitos econômicos, matemáticos e estatísticos. Mas, em regra geral, pode-se dizer que o PIB é a soma de toda a riqueza produzida por um país em um determinado período, nos setores primário, secundário e terciário da economia.

Quem produz alimento ou vestuário, por exemplo, está ajudando a aumentar o PIB e a riqueza que é produzida, seja para consumo interno ou para exportação, além de garantir alimento e agasalho para as pessoas.

Como estava dizendo, nunca produzi riqueza para o meu país. Sempre trabalhei no setor terciário da economia, em instituição financeira. O setor de terciário, para existir, depende do setor secundário (produção industrial) e do setor primário (produção de alimentos e derivados, commodities em geral).

Um país com setores primário e secundário desenvolvidos também apresenta setor terciário competitivo e amplo, com diversos serviços a disposição dos consumidores. Por isso que, quando as commodities ou indústria vão mal, o setor de serviços sofre.

Desta forma, existem dois tipos de pessoas na sociedade: aquelas que produzem riqueza (e também consomem a riqueza produzida) e aquelas que somente consomem a riqueza produzida por outros, sem auxiliar no processo de criação e formação da riqueza.

Existem alguns setores, inclusive, que além de não produzirem riqueza, ainda atrapalham quem o faz. É o caso do sistema bancário, onde trabalho, cujos serviços oferecidos - muitas vezes em descompasso com as necessidades dos clientes, e os juros cobrados nos empréstimos - geralmente altos, são um entrave ao financiamento da atividade produtiva e uma das causas dos nossos preços pouco competitivos em relação ao mercado externo, uma vez que os custos de financiamento compõem os custos da atividade produtiva e elevam o preço final dos produtos, juntamente com os excessivos impostos cobrados em várias fases do processo produtivo (deixarei estes para um outro post).

Não é de graça que no Brasil as empresas que mais lucram desde a década de 80 são os bancos. Não se pode esperar muito, nem futuro, de um país em que os intermediários financeiros, que não produzem nada, lucram mais do que os agentes produtivos. Então, para aumentar meu dilema econômico existencial, além de nunca ter produzido riqueza, ainda trabalho em um setor que atrapalha a criação dessa riqueza. É muita tortura.

Mas posso me consolar ao lembrar que tenho consciência desses fatos e que, pelo menos, sempre respeitei e admirei aqueles que “dão duro”, diariamente, para produzir a riqueza que sustenta essa nação e ajudam a compor o orçamento da União, através de todos os impostos diretos e indiretos que “nascem” em consequência da produção de bens e serviços, diferentemente de outras pessoas que nunca produziram nada em suas vidas, vivem somente de consumir a riqueza produzida pelos outros e adoram criticar o sistema produtivo do país, com o rigor e a petulância de quem só enxerga o espelho, sem contribuir com trabalho ou ideias para melhorar a situação.

Vejo muitas pessoas e entidades criticando setores, empresários, agentes produtivos, por este ou aquele motivo. Claro que sempre existem dois lados em uma moeda – às vezes três – mas qual setor, grupo, ou classe é perfeita? Quem não trabalha para defender seus interesses? Sempre existirão pessoas não éticas, sejam patrões, empregados ou agentes públicos.

Aqui faço uma ressalva àquelas profissões que, embora não estejam ligadas direta ou indiretamente à produção de riqueza para a nação, são essenciais para toda a sociedade. São as atividades ligadas à segurança pública, saúde e educação, representadas por médicos, enfermeiros, profissionais de saúde em geral, professores e educadores em geral, policiais, bombeiros e seguranças em geral. São imprescindíveis a todos nós.

Sendo assim, entre a luz e o calor, ainda prefiro aqueles que fazem a diferença para a sociedade e não aqueles que criticam muito e não criam nada, e que vivem daqueles que efetivamente tem valor para a grandeza de uma nação.

Entre sindicalistas, políticos, funcionários públicos, cargos de confiança em órgãos públicos, burocratas em geral e outras profissões - como a minha, que possuem sua função na sociedade, claro, mas não são determinantes para o progresso da nação, saúdo os verdadeiros heróis desse país, que do seu anonimato e silêncio, fazem a diferença e mantém nossas esperanças em dias melhores.

E aí, você faz parte daquele grupo que produz a riqueza que sustenta o país? Meus parabéns e minha gratidão.

Ou você, assim como eu, não cria riqueza, mas reconhece e respeita quem o faz? Sinto por você – e por mim, mas registre-se o bom senso e a sobriedade.

Ou você é, por fim, daquele grupo que não produz riqueza, critica quem o faz, se acha um sabichão e ainda acha que tem razão? Sinto muito por você, mas, lembre-se, nunca é tarde para se reposicionar, aprender e mudar, desde que ainda não tenha perdido o equilíbrio e a humildade.

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...