domingo, 18 de junho de 2017

Uma reflexão sobre a prece

Vivemos em momento turbulento para a humanidade, para o mundo em geral e para o Brasil em particular. Em pleno século XXI temos a impressão que o mundo está em um processo de involução, de retorno ao passado de guerras, matanças, perseguições, do “olho por olho, dente por dente”. 
São conflitos armados explodindo em vários lugares, somados à crise no oriente médio que nunca se resolve, a tensão crescente no norte da África, em países como Síria e Líbia. Atentados terroristas cada vez mais frequentes, as questões nucleares no Irã e Coréia do Norte, dentre outros. Sem falar da crise na OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte), liderada pelos Estados Unidos e principais países europeus, cada vez mais desarticulada na busca de soluções para os conflitos, atuando mais como problema do que solução.

No Brasil e América Latina o acirramento de disputas políticas, com a acentuada luta de classes e segregação da sociedade em grupos cada vez mais unidos internamente pelo ódio aos demais, e cada vez menos se sentido parte de uma nação como um todo, em um momento em que as pessoas perdem a paciência rapidamente com os seus semelhantes e o sentimento de raiva aflora com uma força suficiente para neutralizar qualquer nuance de bom senso e coerência.

Esse é um estopim perigoso em um ambiente já incrustrado de violência diária contra os cidadãos, em que um sistema de governo falido e corrupto se esconde em sua omissão e incompetência para gerir a segurança pública, a saúde e a educação, e onde as milícias e o crime organizado se aproveitam desta lacuna deixada pelo Estado para se oferecerem como uma opção de vida e “trabalho” para as gerações mais jovens, desiludidas com um futuro digno que nunca chega.

Tempos difíceis. Muitas são as vezes que nos sentimos impotentes, perdidos, desiludidos, sem rumo. Ouve-se muito “este país não tem mais solução”. Daí pergunta-se: ainda há esperança? o que fazer?

Não tenho respostas para o futuro, nem para ações coletivas que poderiam colocar nossa nação novamente no caminho do equilíbrio e da evolução moral. Mas posso dar meu exemplo de como tentar viver nesse mundo cheio de medos e incertezas.

Tenho em minha consciência que muitas das respostas que buscamos não estão neste mundo, nesta dimensão. Acredito, pela minha formação espiritualista, que o momento em que vivemos faz parte de uma grande transição que tornará o nosso planeta um lugar melhor para todos, num futuro não muito distante.

Conforme a expressão firmada pelo respeitado médium e escritor espírita Divaldo Pereira Franco, estamos vivendo uma transição planetária sem precedentes na história da Terra, que levará nosso planeta a deixar de ser um mundo de expiação para alcançar a finalidade de mundo de regeneração, onde os espíritos mais atrasados e ainda agarrados ao mal não terão mais espaço, e onde apenas aqueles que já alcançaram algum grau de elevação moral e espiritual estarão aptos a habitar.

Esta transição planetária que estamos vivendo hoje foi anunciada no livro “A Gênese” de Allan Kardec, publicado em Paris em janeiro de 1868, e, posteriormente, em outros livros, como “A Caminho da Luz”, ditado pelo espírito Emmanuel e psicografado por Chico Xavier, em 1939.

Portanto, o aumento dos conflitos e da violência no mundo pode ser atribuído, em grande parte, ao desespero e influência dos espíritos maus e violentos, encarnados e desencarnados que orbitam a Terra, pelo sentimento consciente ou inconsciente que possuem de que não pertencerão mais a este mundo, em breve tempo, pois ao manterem-se consagrados ao mal estarão desperdiçando esta última oportunidade de reajustamento e avanço moral e intelectual que lhes foi concedida pelo Plano Superior.

Mas voltemos à questão inicial: como proteger-se neste momento difícil? Como zelar pela nossa integridade física, mental e espiritual? Como proteger nossos entes amados?

Para aquelas pessoas espiritualizadas, que tem fé e acreditam em um Plano Superior sustentador da vida e do universo, reproduzo abaixo um texto do livro “Cristianismo e Espiritismo”, escrito pelo médium e pensador espírita Léon Denis e publicado na França em 1898:

A PRECE

Médium, Sra. F.

É chegado o momento de poder a inteligência, suficientemente desenvolvida no homem, compreender a ação, significação e alcance da prece. Certo de ser compreendido, posso, pois, dizer: Não mais incredulidade, nem fanatismo! antes a completa segurança da força que Deus concede a todos os seres, quando a Ele se eleva o pensamento.

Na prece, na lembrança volvida a esse Pai, fonte inexaurível de bondade e caridade, longe de vós essas palavras aprendidas, que os lábios pronunciam num hábito adquirido, mas deixam frio o coração em seus impulsos. Reanimados e atraídos para Ele pelo conhecimento da verdade, pela fé profunda e a verdadeira luz, enviai ao Eterno os vossos corações num pensamento de amor, de respeito, de confiança e abandono; em um transporte, enfim, de todo o ser, esse veemente impulso interior, único a que se pode chamar prece! Desde a aurora, a alma que se eleva, pela prece, ao infinito, experimenta uma como primavera de pensamento que, nas circunstâncias diversas da existência, a conduz ao fim preciso, que lhe é designado.

A prece conserva a infância essa inocência em que sentis ainda a pureza, reflexo do repouso que a alma fruiu no espaço. Para o adolescente é o freio repressor da impetuosidade, que nele brota como vigoroso fluxo; seiva geratriz, se é seguida, perda certa em caso de desfalecimento, mas resgate, se a alma pode e sabe retemperar-se na prece. Depois, na idade em que, na plenitude de sua força e faculdade, o homem sente em si a energia que, muitas vezes, o deve conduzir às grandes coisas, a concentração em que se firma o pensamento, esse grito da consciência que lhe dirige os atos não é ainda a prece? E do fraco, poderoso amparo, não é a prece o consolo, a luz que o auxilia a dirigir-se, como o prisma do farol que indica ao náufrago a praia salvadora?  No perigo, mediante estas duas palavras proferidas com fé "meu Deus!" - envia o homem toda uma prece ao Criador. Esse brado, essa deprecação ao Todo-Poderoso não exprime, como recordação, o instinto do socorro que ele espera receber? o marinheiro exposto aos perigos, a mingua de todo socorro em meio dos elementos desencadeados, formula em sua fé profunda um voto: é prece cuja sinceridade sobe radiosa Àquele que o pode salvar!

E quando ruge na Terra a tempestade, grandes e pequenos tremem ao considerar a própria impotência e, a essa voz poderosa que repercute nas profundezas da terra, oram e confiantes dizem estas palavras: Deus! preserva-nos de todo perigo! - abandono completo, na prece, Àquele que, por sua vontade, tudo pode. Quando chega a idade em que nos desaparece a força, em que os anos fazem sentir todo o seu peso, em que a alma ensombrada pelos sofrimentos, pela fraqueza que a invade se sente incapaz de reagir; quando, finalmente, o ser se vê acabrunhado pela inação, a prece, caudal refrigerante, lhe vem acalmar e fortalecer as derradeiras horas que deve permanecer na Terra.

Em qualquer idade, quando vos assediam as provas, quando sofre o corpo e, sobretudo, o coração amargurado já não deixa repousar feliz o pensamento no que consola e atrai, à prece, unicamente à prece, reclamam a alma, o pensamento, o coração, a calma que já não possuem. Quando o encarnado, na plenitude de suas energias, inspirado pelo desejo do belo e do grande, refere suas aspirações a tudo que o rodeia, pratica o bem, torna-se útil, auxilia os desgraçados e, celeste prece, força do pensamento, em seus atos é amparado pelo fluido poderoso que do Além se lhe associa, constante e invisível cadeia do encarnado com os desencarnados e, para mim, prece!

Direi, pois, a todos que a bondade inspira, aos que, neste século em que o pensamento inquieto investiga sem firmeza, sentem a necessidade de uma fé profunda e regeneradora: - ensinai a prece à criança, desde o berço!

Todo ser, mesmo no extravio das paixões, conserva a lembrança da impressão recebida no limiar da vida e torna a encontrar como consolação, no crepúsculo da existência percorrida, o encanto ainda presente dos anos abençoados em que a criança, iniciando-se na vida, respira sem temor, vive sem inquietação, proferindo nos braços de sua mãe este nome tão grande e tão doce - "Deus!" que ela lhe ensina a murmurar. Haurindo força e convicção nessa piedosa lembrança, ele repetirá com toda a confiança, no último adeus a Terra, a prece aprendida no primeiro sorriso.


JERÔNIMO DE PRAGA

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...