quarta-feira, 17 de maio de 2017

Como anda sua memória econômica?

Artigo recente, postado no site do Instituto Mises Brasil, recorda quanto custavam bens e serviços no Brasil no início do plano real e dá uma aula de economia sobre a verdadeira causa da inflação: o aumento da oferta monetária.

Quando, ao longo do tempo, a oferta monetária aumenta em proporção maior que o aumento do PIB, a quantidade de dinheiro na economia torna-se maior que a quantidade de produtos e serviços oferecidos ou produzidos. Desta forma, ocorre uma desvalorização do dinheiro e um aumento do preço de produtos e serviços.

Portanto, inflação alta não é o aumento generalizado dos preços, isto é consequência da inflação. Inflação é a perda do valor de compra da moeda em determinado período, em relação aos bens produzidos naquele mesmo período, em virtude do excesso de dinheiro colocado em circulação na economia de um país. Ou seja, existe mais moeda circulando do que produtos novos à disposição dos consumidores.

E quem controla os meios de pagamento? Quem é que controla a emissão da moeda e administra a política monetária de um país?

Sim, o governo, através do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil. Portanto já sabemos quem é o responsável quando a inflação sai de controle e prejudica toda a população, principalmente os mais pobres.

A seguir a introdução do referido artigo:

Eis algumas informações encontradas sobre os preços daquela época:
a) O arroz custava R$ 0,64 o quilo. O pão francês, R$ 0,09 a unidade. O filé mignon, R$ 6,80 o quilo.
b) Uma ida a uma churrascaria rodízio variava de R$ 13 a não mais que R$ 24.
c) Um filé à parmegiana para duas pessoas saía por R$ 8,90, e a caipirinha para acompanhar, R$ 0,55.
d) Fartos pratos de coração de frango a R$ 1,90, costela de porco a R$ 2,60, e filé com fritas a R$ 8,90 eram a regra.
e) Para os não-carnívoros, o filé de peixe custava R$ 9,45, o camarão ao molho saía por R$ 16,90, e a mais refinada lagosta não passava de R$ 19,70.
f) Uma dose de uísque 12 anos custava R$ 3,25 e uma caipiroska com vodka, R$ 0,70.
g) Para completar, biscoito cream cracker custava R$ 0,75 e o açúcar, R$ 0,39.
Deixemos de lado o setor gastronômico e vamos para o resto da economia.
Se o preço de um prato de comida em um restaurante a quilo saltou de R$ 6,50 para R$ 25 ao longo de duas décadas, ou se o preço de uma ida ao supermercado saltou de R$ 80 para R$ 400 e ainda assim o consumo não declinou (ao contrário, aumentou), então tal fenômeno só foi possível porque a quantidade de dinheiro em posse das pessoas (consumidores) aumentou.
Apenas imagine se todas as pessoas do país tivessem hoje a mesma quantidade de dinheiro que tinham em julho de 1994. (Lembra-se de quão raras eram as cédulas de 50 reais? As de 100 reais, então, eram praticamente peças de ficção). Apenas imagine que a quantidade de dinheiro que existia em julho de 1994 houvesse sido congelada e mantida imutável até hoje (março de 2017). Pergunta: haveria como ter essa cavalgada de preços? Haveria como os preços subirem mais de 5 vezes?

Veja o artigo completo em http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2663

Viva o dia da miséria

No Brasil, uma das coisas mais democráticas que existe é a miséria. Elege brancos, pretos, velhos, jovens, crianças, deficientes, homens e mulheres. É a socialização da tragédia do cotidiano, bem comum em nosso país.

A miséria, com seus braços abertos, parece um rastilho de pólvora. Vai de norte a sul numa velocidade impressionante, passando pelo litoral e pelo cerrado, por planícies e montanhas. Suas bases, claro, nascem em um formoso planalto central, e seus efeitos se espalham feito metástase em todos os "órgãos" desse corpo chamado Brasil. É um imenso "varejão", onde se compra de tudo, à vista e sem nota, e se vende principalmente a esperança e a dignidade de um povo manso e sofrido. 


Assim chego à conclusão que devemos extinguir o dia da mulher, da criança, das mães, dos pais, da consciência negra, do índio, etc. Basta que seja instituído o dia da miséria, com feriado nacional e comemorações em todo o país. Ao fazerem isso, nossos parlamentares estarão homenageando a grande maioria do povo brasileiro, de todos os cantos e recantos. Será um feriado da democracia, sem discriminações, pois a maioria dos brasileiros se sentirá "prestigiada" e "incluída". Será o êxtase do rivotril.


E ainda teremos algumas vantagens adicionais: muitos feriados serão reduzidos em apenas um, o país terá mais dias úteis para produzir mais e gerar mais riqueza, serão reduzidos os pontos facultativos no serviço público, aumentando a disponibilidade de atendimento à população, além de mudar um pouco a cultura dos feriados prolongados, dentre outros efeitos colaterais.

É ou não é uma ótima ideia?

Esqueçam, foi só um escorregão, um devaneio de um sonhador. Parlamentares adoram feriados, o povo adora feriados, e todos adoram votar em quem adora feriados...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Uma fábula brasileira

Era uma vez um pastor muito dedicado e convincente. Ele pregava todo o dia na sua igreja, arrebatava uma quantidade enorme de fiéis, tinha boas intenções e criticava todas as coisas erradas do mundo e do seu país. Falava sobre ética em uma linguagem que todos compreendiam, principalmente os mais pobres.

Mas como toda pessoa comum, esse pastor tinha alguns amigos antigos, um tanto suspeitos, desviados da vida correta, mas que mesmo assim eram seus amigos. Eles viviam convidando o pastor para ir à zona, aquela zona mesmo, conhecida como baixo meretrício, a casa de tolerância, da luz vermelha como se dizia antigamente. O pastor sempre recusava, alegava compromissos éticos com sua igreja e seus seguidores, sempre fugindo à tentação.

Mas o fato é que convivia muito com esses amigos fora da igreja, até que um belo dia não resistiu a essa que é uma das fraquezas da vida, e foi conhecer a “farra”. Ficou impressionado, boquiaberto. Não só gostou como passou a ser um frequentador assíduo, se tornando um legítimo habitué. Passou a se envolver em romances tórridos com muitas prostitutas por madrugadas e madrugadas, noite após noite.

E assim o tempo foi passando. De dia o pastor pregava, falava aos fiéis sobre a nobreza da vida, sobre princípios e ética, sobre moral, trabalho e dignidade. À noite, se refestelava em prazeres menos nobres, curtia a vida adoidado junto aos velhos amigos e às novas beldades, entre tragos largos e roucas gargalhadas.

Até que um dia se apaixonou pelos encantos de uma velha prostituta, antiga frequentadora do bordel e muito conhecida no meio. A legítima “prata da casa”.

O pastor não resistiu e tirou a meretriz do bordel, fez-lhe mil promessas e recebeu outras mil de volta. Marcaram o casamento. Muitos foram os convidados para a grande festa. A maioria dos fiéis e amigos foi ao casamento. Conheciam a procedência da moça, mas confiavam na sua redenção. Beberam, comeram, comemoraram e vibraram muito, deram parabéns ao noivo e até elogiaram a noiva: “realmente parece outra mulher, olha como está linda, deslumbrante, nem parece aquela”.

Pois bem, passado algum tempo, aconteceu o inevitável. Em meio à rotina da vida, nas idas e vindas do cotidiano, a velha prostituta resgatou o seu passado, que lhe falava mais forte, mais intenso. Traiu o Pastor. Não só traiu como o abandonou. Foi-se embora a viver um novo romance em outros braços.

O coitado ficou em estado de choque, em delírios, enlouqueceu completamente, se consumiu em cólera e saiu bradando rua afora: “fui traído, fui traído, me enganaram, minha esposa me traiu, sofri um golpe, um golpe...”.

Essa é a história do PT com o PMDB.

Aqueles que tinham olhos de ver sabiam que essa história não terminaria bem. É muito difícil terminar bem aquilo que já começa mal. E quando se faz coisas erradas conscientemente, pior ainda.

Mas a maioria dos fiéis compareceu ao casamento, comemorou e elogiou a noiva. Agora estavam todos estupefatos, incrédulos, boquiabertos. No fervor da alegria, durante a grande “festa da democracia”, não foram capazes de alertar o noivo para os riscos daquele propósito. Ao contrário, calaram-se e divertiram-se. Fecharam os olhos para o passado da noiva, que todos conheciam. Agora estavam lá, todos juntos se solidarizando com o noivo, uma “pobre vítima”.

Eis a personificação da hipocrisia. 

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...