quinta-feira, 18 de outubro de 2018

É hora de elevar o pensamento...

Estamos vivendo tempos difíceis em nosso país. Já havia tocado neste assunto em outro artigo, quando defendi que a sociedade brasileira - ou seja, todos nós - precisa ter consciência dos seus deveres individuais e coletivos, e não apenas lutar e gritar por direitos, direitos e mais direitos (ver artigo Em defesa dos Deveres Humanos).

Claro que temos os nossos direitos e também o direito de lutar por eles, mas atualmente o que precisamos mesmo é de um choque de lucidez coletiva para poder suportar toda a tensão moral, social, política e econômica que assola todos os recantos dessa nação, neste crucial momento de inflexão histórica e quase ruptura institucional.

Em poucos momentos da nossa história republicana tivemos tanto ódio, intolerância e acirramento de ânimos como atualmente. Após 1889, depois das revoltas armadas de 1930 e 32, da ditadura Vargas e seu Estado Novo, até 1945, e do período mais conturbado do regime militar, entre 1964 e 1974, esse talvez seja o momento de maior tensão social da nossa história moderna, quase no limiar de uma convulsão social, o primeiro passo para uma guerra civil declarada (já vivemos uma guerra velada em algumas regiões) e pavimentação para um processo de secessão, talvez sem volta.

A necessidade de pacificação é urgente e vital para a própria existência da nação. As pessoas precisam se acalmar e respirar profundamente muitas e muitas vezes. É preciso um grande esforço pessoal e emocional de cada cidadão pela manutenção da sobriedade e do discernimento, e muita paciência com tudo e com todos, pelo Bem Maior.

O pensamento na política e no futuro do país não sai das nossas cabeças, o coração já enfermo dispara constantemente, os nervos sempre “à flor da pele”, vivemos a intolerância e a fúria a cada notícia recebida pelas redes sociais, com verdades e mentiras que alteram o nosso humor e a nossa esperança na velocidade da luz, diversas vezes ao dia. Estamos perdendo o sono, a saúde e, o pior, a razão.

Pensando e refletindo o momento atual, me deparei com um texto simples e reconfortante sobre a necessidade de contemplação e meditação, essenciais para despertar nossas faculdades psíquicas e ativar nossas percepções às elevadas altitudes morais e espirituais, tão importantes em qualquer fase das nossas vidas, e neste momento em particular.

No livro O grande enigma (La grande énigme, em francês), publicado em Paris em 1919, no capítulo XIV, sobre a Natureza e a Elevação, o médiun e escritor espírita Léon Denis aborda a necessidade de se buscar a calma profunda que penetra a alma, através do silêncio e da solidão, mesmo naquelas situações em que nos encontramos em meio às turbulências das selvas urbanas que nos cercam. Eis abaixo a mensagem:

Dos espaços majestosos, baixemos nossos olhares para a Terra. Apesar de suas proporções modestas, ela tem, sabemo­-lo, seus encantos, sua beleza. Cada sítio  tem sua poesia, cada paisagem sua expressão, cada vale seu sentido particular.

A variedade é tão grande nos prados do nosso mundo quanto nos campos estrelados. O verão é o sorriso de Deus! Nada mais suave, mais inebriante do que a apoteose de um belo dia em que tudo é carícia, doçura, luz.

A florinha escondida na relva, o  peixe que se esgueira entre as águas, fazendo espelhar ao sol suas escamas de prata, o pássaro que modula suas notas do alto das ramadas, o murmúrio das fontes, a canção misteriosa dos álamos e dos olmeiros, o perfume selvagem dos musgos, tudo  isso acalenta o pensamento, regozija o coração.

Longe das cidades, encontra­-se a calma profunda que penetra a Alma, separando­-a das lutas e das decepções da vida. Só e então se compreende a verdade destas grandes palavras: “O ruído é dos homens, o silêncio é de Deus!”.

A contemplação e a meditação provocam o despertar das faculdades psíquicas e, por elas, todo um mundo invisível se abre à nossa percepção. Ensaiei, no correr  desta obra, exprimir as sensações experimentadas do alto dos cimos ou à borda dos mares, descrever o encanto dos crepúsculos e das auroras; a serenidade dos campos, sob o real esplendor do Sol, o prodigioso poema das noites estreladas, a sublimidade dos luares, o enigma das águas e dos bosques.

Há momentos de êxtase em que a Alma se transporta fora do seu  invólucro e abraça o Infinito; horas de intuição e entusiasmo em que o influxo divino nos invade qual uma onda irresistível, em que o pensamento supremo vibra e palpita em nosso íntimo, onde brilha, por um instante, a centelha do gênio.

Essas horas inolvidáveis, eu  as vivi algumas vezes e, em cada uma delas, acreditei na visita, na penetração do Espírito. Devo-­lhes a inspiração de minhas mais belas páginas e de meus melhores discursos.

Aquele que se recolhe no silêncio e na solidão, diante dos espetáculos do mar  ou das montanhas, sente nascer, subir, crescer em si mesmo imagens, pensamentos, harmonias que o arrebatam, encantam e consolam das terrestres misérias, e lhe abrem as perspectivas da vida superior.

Compreende então que o pensamento de Deus nos envolve e nos penetra quando, longe das torpezas sociais, sabemos abrir-lhe nossas almas e nossos corações”.

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...