quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Dinheiro & Dilemas – O dia D da próxima grande crise financeira mundial

Nestas últimas semanas resolvi deixar de lado outros temas que considero importantes, como as séries de artigos sobre parlamentarismo e auditoria nas demonstrações contábeis, para mergulhar em análises e avaliações de risco relacionadas à possibilidade de estarmos na iminência de uma nova grande crise financeira global. Aliás, acredito que já estamos vivendo esta nova crise.

Entendo que a crise de 2008 nunca foi resolvida verdadeiramente. Foram tomadas medidas ao longo dos anos para atenuar e esconder seus efeitos, esticando-a até um limite que considero hoje sem retorno. A questão chave é: em que momento ocorrerá o “estouro”, o grande crash, que fará com que a maioria dos ativos sofra imensa depreciação em poucas semanas, mundo afora? Essa é a pergunta que vale bilhões.

Acho que a grande crise de 2008 não teve o tratamento adequado. O excesso de liquidez dos mercados precisa ser expurgado, pois chegou a níveis alarmantes. A atual sinuca de bico das grandes economias e bancos centrais mundiais é consequência de 2008 e de outras decisões anteriores, que geraram a própria crise de 2008. As doses excessivas de “morfina” e “anabolizantes” aplicadas até hoje já não conseguem mais manter o paciente estável (economia mundial).

Nos últimos 11 anos ocorreram os maiores programas mundiais de afrouxamento monetário, principalmente via FED, BCE, BoE e BOJ, seguidos logo após pelo banco central chinês (conhecidos por QEs – quantitative easing). Cerca de US$ 15 trilhões foram despejados nos mercados financeiros, jogando os juros governamentais e corporativos a níveis muito baixos e até negativos em vários países.

E os resultados? Pífios. A economia mundial segue andando de lado, com estagnação, recessão, subempregos e desemprego em alta. Muito preocupante. Os velhos remédios não fazem mais efeito. Essa é a sinuca de bico.

Os sinais de tempestade vêm de todas as direções, mas é preciso de muita abstração e concentração para captá-los e tentar entender quais serão os seus efeitos imediatos e de longo prazo. A onça-troy, por exemplo, rompeu no início de agosto de 2019 a barreira dos US$ 1.500.00, fato que não ocorria desde abril de 2013. Os maiores compradores de ouro são os bancos centrais da Rússia, China e Índia, que estão fazendo este movimento silenciosamente desde 2015. Agora não escondem mais. Veja em https://www.seudinheiro.com/bancos-centrais-buscam-protecao-e-compram-374-toneladas-de-ouro-em-2019/, https://moneytimes.com.br/volume-de-compra-de-ouro-dos-bancos-centrais-atinge-maior-nivel-desde-1967/ e https://www.correiodobrasil.com.br/bancos-centrais-investem-contra-dolar-compra-ouro-bate-novo-recorde/.

Veja também o artigo The monetary policy endgame (o fim da política monetária), de Rick Rieder, CIO global da BlackRock, disponível aqui https://www.blackrockblog.com/2019/09/05/monetary-policy-endgame/, e o “mini pânico” que tomou conta dos mercados americanos no último dia 17/09/2019, disponível aqui https://edition.cnn.com/2019/09/17/business/overnight-lending-rate-spike-ny-fed/index.html.

Gostaria de salientar que essas notícias não são destacadas pela grande mídia. Muitas vezes nem aparecem – o que é mais frequente. Quando viram destaque é porque o leite já está no chão. É preciso analisar com muita atenção o atual contexto econômico global, pois a crise é estrutural e não conjuntural, e deve impactar profundamente a vida econômica e financeira de milhões de pessoas.

Também gostaria de compartilhar os links abaixo, em que o economista e analista Fernando Ulrich aborda o assunto em vídeos recentes, com muita propriedade: https://www.youtube.com/watch?v=zpHmV1hXaaA&feature=youtu.be, https://www.youtube.com/watch?v=IkMxnuP_OF0, https://www.youtube.com/watch?v=3SOHoC6Xafc.

Existem momentos em que o melhor negócio é não perder, manter-se vivo, com liquidez, para poder seguir no jogo quando o sol voltar a brilhar.


Crise financeira de 1929 - USA

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