quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Dinheiro & Dilemas – Você tem cacoete de rico?

Quantas vezes você já viu em livros, artigos ou filmes os segredos para alcançar a fortuna? Quantas vezes você leu sobre os dez passos para se tornar milionário ou sobre as sete dicas para ter uma vida de sucesso?

Falar sobre riqueza virou modinha há muito tempo. Existem “trocentos” artigos sobre o tema. Então porque estamos tratando disso novamente? Porque voltar a falar nesse assunto?

Digamos que sou um pouco teimoso com coisas que me fascinam e, guardadas as “devidas pretensões”, acho que poderia acrescentar algo de novo ao debate, com o cuidado de não me tornar enfadonho ou chato mesmo.

Ao longo da vida, observando e tentando entender o sucesso e a riqueza alheia – sou de origem muito pobre - e também convivendo e aprendendo com pessoas muito ricas, em função de atividades desenvolvidas, pude captar alguns sinais e características comuns a todas as pessoas bem sucedidas que conheci.

Em tese, trata-se de apenas uma característica primária comum a todas as pessoas que conseguem acumular capital ao longo do tempo, que eu batizei carinhosamente de ”cacoete de rico”.

Mas o que seria isso? Primeiro, vamos relembrar o significado de cacoete: os principais sinônimos de cacoete são “mania, gesto repetitivo, costume ou trejeito característico de uma pessoa, expressões ou atos que tendem a ser repetitivos e que podem se transformar em vícios”.

Podemos dizer então que cacoete de rico é ter mania de rico, vício de ser rico, ou fazer gestos repetitivos que imitam os ricos? Digamos que pode ser mais ou menos isso, mas não é bem isso. 

Para começar a entender essa característica que considero inerente às pessoas ricas, é importante reforçar que não estou me referindo a pessoas que sabem ganhar dinheiro, e sim tratando de pessoas que criam e mantém riqueza. São assuntos correlatos, mas coisas distintas. Ganhar dinheiro é uma coisa, criar e manter riqueza é outra bem diferente.

Você pode pesquisar à vontade, pois existem milhares de histórias de pessoas que ganharam muito dinheiro e acabaram na miséria. O próprio processo de ganhar e perder dinheiro, e como as pessoas lidam com isso, já nos fala muito sobre a personalidade dos envolvidos nessas histórias.

Os atos de criar e manter riqueza estão ligados a outras eficiências e padrões cognitivos, que são diferentes daqueles relacionados às pessoas boas em fazer dinheiro. Algumas possuem ambas as capacidades, mas a maioria, apenas uma parte, ou nenhuma delas.

Vamos pensar em duas situações e nas respostas que teríamos para elas:

Se alguém colocar na sua frente o carro dos seus sonhos, lindo e maravilhoso, e o valor deste carro em dinheiro, e pedir para você escolher entre um ou outro, de presente, você escolhe o carro ou o dinheiro? Pense em qual seria a sua atitude.

Se alguém lhe perguntar quanto vale um terreno de 1000 m2 bem no meio do deserto do Saara, sem nada em volta, e quanto vale um outro, igual, bem no meio da ilha de Manhattan, em Nova Iorque, qual será a sua resposta?

A maioria das pessoas que ganha muito dinheiro o faz com segundas intenções: comprar uma casa melhor ou um belo carro, adquirir mais bens materiais, pagar a faculdade dos filhos, satisfazer vaidades pessoais, ostentar para os amigos e família, e outras coisas mais.

O que percebi ao longo dos anos observando pessoas ricas, é que elas possuem certas emoções e padrões cognitivos diferentes da maioria, mas comuns entre elas, que foram determinantes nas suas histórias de prosperidade. E tudo começa com uma simples constatação: ELAS GOSTAM DE DINHEIRO.

As preocupações e emoções dos que buscam o dinheiro como um meio são diferentes dos sentimentos que movem as pessoas que enxergam o dinheiro como um fim. E porque falar em emoções e não em atitudes e habilidades? Porque atitude e habilidade as pessoas que ganham dinheiro já tem. Não é isso que falta a elas. Ou você acha que ganhar dinheiro honestamente é fácil?

Criar e manter riqueza precisa de algo diferente: por isso que estamos falando em emoções. A emoção, como se diz na minha terra, é a mão que segura a rédea que conduz o cavalo (ou o burro, conforme o caso e o tipo de emoção).

Em outras palavras: a emoção vem em primeiro lugar. Toda a ação é precedida do pensamento e do sentimento. Em quase tudo na vida. A maneira como você pensa e reage diante do dinheiro é que define se você possui cacoete de rico ou não.

E por mais que gostar de dinheiro possa parecer um sentimento frio em relação à vida, as pessoas que pensam assim, paradoxalmente, desenvolvem ao longo do tempo um estilo de vida mais frugal, desapegado em relação aos bens materiais, justamente por aprender a abrir mão destes para ter a segurança financeira desejada. Descobrem com o tempo que o cúmulo do refinamento é a simplicidade. Aprendem com a vida.

E as perguntas acima? Vamos às respostas?

Primeira: entre o carrão e o dinheiro, quem tem cacoete de rico prefere o dinheiro, sempre, e isso vale para o carro, o apartamento, obras de arte, joias, terrenos. Quem gosta de dinheiro quer ter o controle do dinheiro, e não abre mão das inúmeras possibilidades que o dinheiro proporciona. Quer ter o poder de decisão sobre o dinheiro. Nunca esqueça que o dinheiro é ótimo para proporcionar coisas que não dependem essencialmente dele. O dinheiro permite comprar o tempo, as habilidades e a produção de outras pessoas, ou seja, o suor alheio. É aí que reside o seu imenso valor. É por isso que as pessoas que entendem de dinheiro respeitam o dinheiro.

Segunda: o valor dos terrenos depende do seu destino, ou seja, daquilo que se pretende fazer com eles. Se ficarem parados no tempo, valem a mesma coisa, ou seja, nada. Agora, se você pretende fazer algo com eles, usá-los de forma construtiva para gerar renda, bem, é certo que o terreno em Manhattan vale muito mais que os mil metros de areia no Saara. A não ser que você encontre petróleo ou diamantes por ali, e mesmo assim, terá custos altíssimos para colocar a mão nessa loteria.

E também não esqueça que preço e valor são coisas bem diferentes.

Preço é a quantidade de unidades monetárias que alguém pede por algo. Valor é a capacidade de alguma coisa gerar renda. O que define o valor é a capacidade de geração de renda de um bem ou meio de produção. É a renda que dá valor aos bens e não o contrário. De que adianta imobilizar um milhão de dólares em uma cobertura e depois não ter renda para pagar o condomínio. A renda vem primeiro, sempre.

E então, você gosta mais de comprar ou de poupar? Gosta mais de bens e produtos ou de dinheiro? Você é capaz de entender a diferença entre preço e valor? Pense um pouco a respeito. Voltaremos ao assunto em outro post.

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...