quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Balanço Patrimonial da Pessoa Física – parte 5

Seguindo o raciocínio descrito no post anterior, vamos imaginar a manutenção da citada estratégia de investimento por mais três anos, para poder analisar o BP após quatro anos da decisão de investir em ativos ao invés de trocar de carro:

  Balanço Patrimonial – 2º ano
ATIVO
PASSIVO
1. Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
2. Aplicação financeira de R$ 60.000,00 (R$ 55 mil do ano anterior mais R$ 5 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 300,00/mês = R$ 4.000,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
3. Aplicação financeira de R$ 46.000,00 (R$ 43 mil do ano anterior mais R$ 3.000 da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 230,00/mês = R$ 2.800,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
4. Nova aplicação financeira de R$ 46.000,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 230,00/mês = R$ 2.800,00/ano com juros sobre juros

Total Ativo = 152.000,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 142.000,00

Total geração receitas ano = 93.600,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 47.600,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO


  Balanço Patrimonial – 3º ano
ATIVO
PASSIVO
1. Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
2. Aplicação financeira de R$ 64.000,00 (R$ 60 mil do ano anterior mais R$ 4 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 350,00/mês = R$ 4.200,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
3. Aplicação financeira de R$ 48.800,00 (R$ 46 mil do ano anterior mais R$ 2.800 da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 250,00/mês = R$ 3.000,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
4. Segunda aplicação financeira de R$ 48.800,00 (os outros R$ 46 mil do ano anterior mais R$ 2.800 da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 250,00/mês = R$ 3.000,00/ano com juros sobre juros

5. Nova aplicação financeira de R$ 47.600,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 240,00/mês = R$ 2.880,00/ano com juros sobre juros

Total Ativo = 209.200,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 199.200,00

Total geração receitas ano = 97.080,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 51.080,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO


  Balanço Patrimonial – 4º ano
ATIVO
PASSIVO
1. Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
2. Aplicação financeira de R$ 68.200,00 (R$ 64 mil do ano anterior mais R$ 4,2 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 400,00/mês = R$ 5.000,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
3. Aplicação financeira de R$ 51.800,00 (R$ 48,8 mil do ano anterior mais R$ 3 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 300,00/mês = R$ 3.800,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
4. Segunda aplicação financeira de R$ 51.800,00 (R$ 48,8 mil do ano anterior mais R$ 3 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 300,00/mês = R$ 3.800,00/ano com juros sobre juros

5. Terceira aplicação financeira de R$ 50.480,00 (47,6 mil do ano anterior mais 2,88 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 260,00/mês = R$ 3.200,00/ano com juros sobre juros

6. Nova aplicação financeira de R$ 51.080,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 270,00/mês = R$ 3.300,00/ano com juros sobre juros

Total Ativo = 273.360,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 263.360,00

Total geração receitas ano = 103.100,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 57.100,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO

Muito bem, chegamos ao final da nossa simulação. Após quatro anos da decisão de não comprar o veículo novo, vamos comparar os valores atuais com os valores da época:

O Ativo passou de R$ 50 mil para R$ 273,3 mil, incremento de 447%.

O Passivo continuou com o mesmo valor de R$10 mil, uma vez que a nossa proposta era evitar novos passivos e focar na criação de ativos.

O Patrimônio Líquido cresceu de R$ 40 mil para R$ 263,3 mil, incremento de 558%.

O total da geração de receitas do ano “zero” para o quarto ano passou de R$ 89 mil para R$ 103,1 mil, incremento de 15,8%. Novamente parece pouco, não é? Entretanto, como comentamos no artigo anterior, se olharmos com mais atenção, todo o fluxo de caixa positivo de um ano (receitas – despesas) se transforma em fator gerador de renda no ano seguinte, pela reaplicação desse recurso no ATIVO (no nosso caso em aplicações financeiras).

Formação dos fluxos de caixa positivos durante os últimos quatro anos (em R$):
Período
Geração de receitas (trabalho assalariado + renda das aplicações)
Geração de despesas
Fluxo Caixa Positivo

FATURAMENTO DA PESSOA FÍSICA
DESPESAS OPERACIONAIS
LUCRO OPERACIONAL
Ano 0
84.000,00 + 5.000,00 = 89.000,00
46.000,00
43.000,00
Ano 1
84.000,00 + 8.000,00 = 92.000,00
46.000,00
46.000,00
Ano 2
84.000,00 + 9.600,00 = 93.600,00
46.000,00
47.600,00
Ano 3
84.000,00 + 13.080,00 = 97.080,00
46.000,00
51.080,00
Ano 4
84.000,00 + 19.100,00 = 103.100,00
46.000,00
57.100,00
Totais
420.000,00 + 54.780,00 = 474.780,00
230.000,00
244.780,00

Dessa forma, se considerarmos os Fluxos de Caixa Positivos ano a ano, a geração de renda das aplicações financeiras resultou em um total de R$ 54,7 mil, que se transformou em fator gerador de renda acumulado no período de quatro anos, sensibilizando o ATIVO total acumulado.

Ao somarmos essa quantia à geração de renda do trabalho assalariado, chegamos a um total de R$ 474,7 mil, que poderíamos “apelidar” de FATURAMENTO DA PESSOA FÍSICA no período, montante nada desprezível, que demonstra o potencial dessa metodologia, no longo prazo, para o acumulo de ATIVOS GERADORES DE RENDA.

Você lembra a 3ª parte do artigo, quando simulamos a compra do carro novo (à vista e a prazo) e os efeitos dessa decisão no BP-PF? O valor do veículo era R$ 60 mil. A decisão de não comprar o carro novo e investir em Ativos gerou em quatro anos a quantia de R$ 54,7 mil. Quanto valeria hoje o veículo, sabendo-se que a depreciação nos primeiros anos é sempre maior?

Poderíamos calcular a desvalorização em pelo menos 40%, ou seja, o carro agora usado valeria aproximadamente R$ 36 mil, bem menos que os R$ 54,7 mil de renda gerados pela acumulação de Ativos. Teríamos hoje praticamente o valor total do carro zero, sem fazer financiamento e sem abrir mão da aplicação financeira existente à época. Veja como foi bom adiar a compra do carro. Um belo negócio, não é mesmo!

Pela metodologia acima, parece que nunca haverá um bom momento para essa compra. Parece mesmo, mas como veremos no próximo artigo, teremos sim a oportunidade de comprar um carro mais novo, após analisarmos os custos da operação e o custo de oportunidade. Você saberá quando e como deverá fazer.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Em defesa dos Deveres Humanos

A primeira grande diferença entre direito e dever é que o primeiro é uma possibilidade e o segundo, uma obrigação. Nunca esqueça isso. Parece pouco, mas compreender essa pequena diferença é determinante para uma total mudança de conceitos em uma sociedade.

John Fitzgerald Kennedy disse em um de seus famosos discursos: “não pergunte o que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer por seu país”. Não acho que devemos chegar ao extremo de abdicar de direitos para apenas cumprir deveres, mas com certeza este pensamento é um símbolo da consciência do dever individual, formador do amálgama de um povo, premissa para uma proposta de futuro digno para uma nação.

Se você acha, por exemplo, que tem direito à educação pública de boa qualidade, você também tem o dever de estudar muito, aprender de verdade, respeitar os professores e tirar boas notas.

Se você acha que tem direito a um sistema de saúde público de qualidade, você também tem o dever de cuidar da sua saúde, para não onerar o sistema, e ser íntegro, não pedindo atestados médicos falsos ou por motivos pífios apenas para conseguir umas folgas.

Se você acha que a violência atual é um absurdo e que o estado deveria proporcionar segurança pública de qualidade, você também tem a obrigação de contribuir para a segurança da sua cidade, não financiando as organizações criminosas através da compra de cocaína ou outras drogas.

A dignidade humana não brota dos direitos recebidos e sim dos deveres cumpridos, da superação. É assim que se criam os homens fortes.

Antigamente, na esfera pública, para ser prefeito, parlamentar, juiz ou delegado, um cidadão era escolhido entre seus pares e convidado a concorrer em função dos seus atos passados e exemplos de vida, como acontece nas tribos indígenas e africanas em relação aos líderes, geralmente os anciões e sábios.

Representar a sociedade era um prêmio, um reconhecimento pela honra e dignidade. O passado de uma pessoa era seu atestado de idoneidade. E para a comunidade era mais fácil escolher entre os mais velhos, pois estes já haviam demonstrado durante a vida suas competências e valores morais, diferentemente dos mais jovens, que são sempre uma aposta, pois ainda não possuem uma história de vida a ser avaliada.

Em muitas localidades do Brasil, até meados da década de 70, a função de vereador não era remunerada. Era uma missão dada aos escolhidos pela sua comunidade. Os trabalhos na Câmara de Vereadores eram à noite, ou em um determinado dia da semana, para não comprometer os afazeres pessoais dos eleitos, pois todos eles tinham outras profissões ou atividades para garantir-lhes o sustento. Eram pessoas que serviam à sociedade e não geravam custos aos pagadores de impostos. Não se serviam dela.

Hoje, muitos encontram na política uma carreira promissora, uma fonte de renda abundante e a possibilidade de satisfazer vaidades e narcisismos. Infelizmente, a política também pode servir para compensar fracassos profissionais, emocionais ou familiares. É por isso que existem tantos políticos ruins e militantes imbecilizados: fizeram da política a “tábua de salvação” dos seus fracassos pessoais.

Conheço prefeitos que nunca se preocuparam ou souberam cuidar do orçamento doméstico ou de uma pequena empresa, e se acham capazes de administrar uma cidade.

Conheço deputados e deputadas que nunca tiveram outra atividade na vida a não ser a política. Nunca conseguiram cumprir pequenas regras de convivência do lar quando adolescentes (arrumar o quarto, lavar a louça, lavar as próprias roupas), e se acham capazes de propor leis que alteram a vida das pessoas de uma hora para outra, como se fossem senhores do destino.

Conheço juízes que nunca conseguiram manter uma relação estável com um companheiro ou companheira, não possuem filhos, e se acham capazes de decidir sobre complexas questões familiares.

Bons médicos, professores experientes, engenheiros e contadores renomados, só para citar alguns casos, muitas vezes não dispõem de tempo para se dedicar à política, pois são muito demandados em suas profissões. É assim que a política, na maioria das vezes, cai nas mãos dos medíocres, dos preguiçosos e dos malandros. Essa é uma história muito comum no Brasil.

E qual o resultado disso tudo? Podemos responder com aquele conhecido ditado oriental:

“Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis...”

Vivemos tempos difíceis, com homens fracos, medíocres, malandros e preguiçosos. Não será fácil consertar esse país. Essa mentalidade de pensar apenas “nos meus direitos”, predominante no Brasil, não é a única causa, mas é uma das maiores protagonistas do fracasso dessa nação.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O Balanço Patrimonial da Pessoa Física – parte 4

Continuando com a estruturação do nosso Balanço Patrimonial Pessoa Física (BP-PF), vamos retornar ao artigo anterior no ponto em que discutíamos a decisão de comprar o veículo novo (compra à vista ou compra financiada).

Naquele momento foi possível observar claramente que ambas as decisões de compra (à vista e com financiamento bancário) foram determinantes para a redução da geração de caixa ocorrida no BP-PF. Podemos concluir que, financeiramente, a compra do carro foi uma péssima decisão.

O fluxo de caixa positivo se reduziu de R$ 43 mil para R$ 35 mil e depois para R$ 20 mil, na medida em que as opções de compra do veículo eram analisadas. Da mesma forma, o Patrimônio Líquido que era POSITIVO em R$ 40 mil se transformou em Patrimônio NEGATIVO de R$ 60 mil, numa variação NEGATIVA de R$ 100 mil.

Estes foram os impactos mais visíveis e marcantes de apenas uma decisão errada, referente à compra de um veículo novo. Imagine a quantidade de equívocos que podem ocorrer quando não se possui uma visão mais abrangente dos aspectos financeiros que influenciam as decisões de investimento. Esse é um dilema constante vivenciado no ambiente empresarial e que, como se percebe agora, afeta diretamente as pessoas físicas também.

Por isso é tão importante conhecer os princípios de Análise Econômica e Financeira de Empresas e direcioná-los às nossas vidas. O entendimento desses conceitos pode e deve contribuir para a construção de ATIVOS GERADORES DE RENDA durante aqueles anos em que somos mais produtivos e cheios de energia, para que possamos preparar uma velhice tranquila e confortável. 

Vamos rever a situação inicial descrita no artigo anterior:

“Imagine que você é relativamente jovem, vive apenas para si e possua um bom emprego para os padrões brasileiros”. Seu Balanço Patrimonial poderia ser assim:

ATIVO
PASSIVO
Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
Aplicação financeira de R$ 50.000,00 (gera renda extra de R$ 400,00/mês = R$ 5.000,00/ano com juros sobre juros)
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
Outros ativos e receitas = 0,00
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
Total Ativo = 50.000,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 40.000,00

Total geração receitas ano = 89.000,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 43.000,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO

Você possui um emprego estável que produz R$ 7 mil de caixa positivo mensalmente e contribui para que seu Patrimônio Líquido anual seja positivo em R$ 40 mil (ativos – passivos). Esta situação se reflete em um fluxo de caixa positivo de R$ 43 mil por ano.

Esses R$ 43 mil anuais podem e devem ser reinvestidos no ativo, renovando seus investimentos e aumentando sua geração positiva de caixa ano após ano, possibilitando que a geração de caixa dos seus investimentos supere, no longo prazo, a geração de caixa do seu trabalho assalariado. É reinvestir o lucro no giro dos negócios (ativo circulante), como as empresas fazem, ou deveriam fazer.”

Antes de continuar, uma observação: quando se trabalha com projeções de longo prazo, os efeitos da perda de poder de compra da moeda (inflação) e do custo de oportunidade do capital (risco/retorno) devem ser calculados sempre. Entretanto, para efeitos didáticos, desprezaremos estas variáveis no exemplo para não complicar muito a estruturação do nosso BP. Trabalharemos com valores nominais para os próximos períodos supondo que, da mesma forma que a inflação corrige as despesas do Passivo, as reposições salariais atualizam a principal receita do Ativo.

Desta forma, consideraremos no BP apenas novas receitas e despesas criadas ao longo do tempo, lembrando que a principal receita incremental gerada no Ativo provém das remunerações obtidas sobre as sobras do trabalho assalariado. Mesmo assim, é sempre importante lembrar que, no longo prazo, a tendência é a inflação “ganhar” da correção dos salários.

Agora vamos analisar os efeitos da decisão correta que deveria ter sido tomada à época, ou seja, não comprar o carro novo. Você ponderou que, sem maiores compromissos de longo prazo, poderia adiar a troca do carro e continuar investindo seus recursos excedentes na CRIAÇÃO DE ATIVOS. Vamos ver como ficaria o BP no ano seguinte:

Balanço Patrimonial – um ano depois

ATIVO
PASSIVO
Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
Aplicação financeira de R$ 55.000,00 (R$ 50 mil do ano anterior mais R$ 5 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 400,00/mês = R$ 5.000,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
Nova aplicação financeira de R$ 43.000,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 250,00/mês = R$ 3.000,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
Total Ativo = 98.000,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 88.000,00

Total geração receitas ano = 92.000,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 46.000,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO

Note que os Ativos quase dobraram de um ano para o outro, fortalecendo o Patrimônio Líquido Positivo, que passou de R$ 40 mil para R$ 88 mil (incremento de 120%), fazendo o fluxo de caixa aumentar de R$ 43 mil para R$ 46 mil.

Observe que um aumento de quase 100% nos Ativos gerou um acréscimo de “apenas” R$ 3 mil na geração de caixa de um ano para o outro. Parece pouco, não é verdade? Parece, mas não é.

Deve-se levar em conta que a geração de caixa do exercício anterior, que era renda, foi incorporada ao Ativo neste exercício, tornando-se FATOR GERADOR DE RENDA (os R$ 5 mil de rendimento da aplicação de R$ 50 mil do ano anterior se transformou em aplicação de R$ 55 mil neste último exercício).

Nos últimos dois anos, a geração de caixa das aplicações financeiras foi de R$ 13 mil (R$ 5.000,00 + R$ 5.000,00 + R$ 3.000,00). A cada ano que passa, a renda gerada se transforma em fator gerador de renda, pelo reinvestimento do ganho no giro do negócio, como se diz no jargão empresarial.

Isso tudo porque simulamos investimentos no mercado financeiro, em aplicação de baixo risco. Nos últimos meses, os juros básicos da economia caíram muito em relação à sua série histórica, fazendo com que o retorno dos investimentos seja mais lento. Caso os juros voltem para uma média histórica de 1% ao mês ou um pouco mais, o retorno será maior, em menor prazo. Você também poderá encontrar outros tipos de investimento com retornos mais atraentes, em outras áreas.

Na análise de rentabilidade, também é importante relembrar as observações finais do artigo anterior: os custos das despesas geradas no Passivo geralmente são maiores que os ganhos das receitas geradas no Ativo, uma vez que, no mercado bancário, para pessoas físicas, as taxas de custeio dos empréstimos quase sempre superam as taxas de remuneração do capital.

Portanto, para não perder geração de caixa, é importante SEMPRE MANTER ATIVOS EM PROPORÇÃO SUPERIOR AOS PASSIVOS, ou simplesmente reduzir Passivos, quando não for possível gerar novos Ativos.

No próximo post seguiremos com o mesmo raciocínio, projetando essa estratégia para os anos seguintes (próximos três anos), para podermos analisar o BP após quatro anos da decisão de não comprar o veículo novo.

Aguarde!

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...