terça-feira, 15 de maio de 2018

Em defesa dos Deveres Humanos

A primeira grande diferença entre direito e dever é que o primeiro é uma possibilidade e o segundo, uma obrigação. Nunca esqueça isso. Parece pouco, mas compreender essa pequena diferença é determinante para uma total mudança de conceitos em uma sociedade.

John Fitzgerald Kennedy disse em um de seus famosos discursos: “não pergunte o que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer por seu país”. Não acho que devemos chegar ao extremo de abdicar de direitos para apenas cumprir deveres, mas com certeza este pensamento é um símbolo da consciência do dever individual, formador do amálgama de um povo, premissa para uma proposta de futuro digno para uma nação.

Se você acha, por exemplo, que tem direito à educação pública de boa qualidade, você também tem o dever de estudar muito, aprender de verdade, respeitar os professores e tirar boas notas.

Se você acha que tem direito a um sistema de saúde público de qualidade, você também tem o dever de cuidar da sua saúde, para não onerar o sistema, e ser íntegro, não pedindo atestados médicos falsos ou por motivos pífios apenas para conseguir umas folgas.

Se você acha que a violência atual é um absurdo e que o estado deveria proporcionar segurança pública de qualidade, você também tem a obrigação de contribuir para a segurança da sua cidade, não financiando as organizações criminosas através da compra de cocaína ou outras drogas.

A dignidade humana não brota dos direitos recebidos e sim dos deveres cumpridos, da superação. É assim que se criam os homens fortes.

Antigamente, na esfera pública, para ser prefeito, parlamentar, juiz ou delegado, um cidadão era escolhido entre seus pares e convidado a concorrer em função dos seus atos passados e exemplos de vida, como acontece nas tribos indígenas e africanas em relação aos líderes, geralmente os anciões e sábios.

Representar a sociedade era um prêmio, um reconhecimento pela honra e dignidade. O passado de uma pessoa era seu atestado de idoneidade. E para a comunidade era mais fácil escolher entre os mais velhos, pois estes já haviam demonstrado durante a vida suas competências e valores morais, diferentemente dos mais jovens, que são sempre uma aposta, pois ainda não possuem uma história de vida a ser avaliada.

Em muitas localidades do Brasil, até meados da década de 70, a função de vereador não era remunerada. Era uma missão dada aos escolhidos pela sua comunidade. Os trabalhos na Câmara de Vereadores eram à noite, ou em um determinado dia da semana, para não comprometer os afazeres pessoais dos eleitos, pois todos eles tinham outras profissões ou atividades para garantir-lhes o sustento. Eram pessoas que serviam à sociedade e não geravam custos aos pagadores de impostos. Não se serviam dela.

Hoje, muitos encontram na política uma carreira promissora, uma fonte de renda abundante e a possibilidade de satisfazer vaidades e narcisismos. Infelizmente, a política também pode servir para compensar fracassos profissionais, emocionais ou familiares. É por isso que existem tantos políticos ruins e militantes imbecilizados: fizeram da política a “tábua de salvação” dos seus fracassos pessoais.

Conheço prefeitos que nunca se preocuparam ou souberam cuidar do orçamento doméstico ou de uma pequena empresa, e se acham capazes de administrar uma cidade.

Conheço deputados e deputadas que nunca tiveram outra atividade na vida a não ser a política. Nunca conseguiram cumprir pequenas regras de convivência do lar quando adolescentes (arrumar o quarto, lavar a louça, lavar as próprias roupas), e se acham capazes de propor leis que alteram a vida das pessoas de uma hora para outra, como se fossem senhores do destino.

Conheço juízes que nunca conseguiram manter uma relação estável com um companheiro ou companheira, não possuem filhos, e se acham capazes de decidir sobre complexas questões familiares.

Bons médicos, professores experientes, engenheiros e contadores renomados, só para citar alguns casos, muitas vezes não dispõem de tempo para se dedicar à política, pois são muito demandados em suas profissões. É assim que a política, na maioria das vezes, cai nas mãos dos medíocres, dos preguiçosos e dos malandros. Essa é uma história muito comum no Brasil.

E qual o resultado disso tudo? Podemos responder com aquele conhecido ditado oriental:

“Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis...”

Vivemos tempos difíceis, com homens fracos, medíocres, malandros e preguiçosos. Não será fácil consertar esse país. Essa mentalidade de pensar apenas “nos meus direitos”, predominante no Brasil, não é a única causa, mas é uma das maiores protagonistas do fracasso dessa nação.

3 comentários:

  1. Otimo artigo. O grande mal no Brasil é a excessiva influência de marxistas no dia a dia e na burocracia do Estado. Este tipo de gente pensa somente de forma egoísta, sempre em busca de direitos individuais ou de minorias, onerando o restante da população. Pensam que o Estado é o provedor infinito para tudo que eles imaginam, sem que haja contrapartida.

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  2. É meu amigo, existem pessoas que acham que o leite "nasce" na gôndola do mercado, esquecem que alguém precisa acordar cedo, tratar a vaca, tirar o leite, levar até a cooperativa, processar, embalar e levar até o supermercado...

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  3. Não existe nada de graça, todo direito conquistado por alguém tem um custo para a sociedade e precisa do esforço de outros para ser concretizado.

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