Quantas vezes você já viu em livros, artigos ou filmes os segredos para alcançar a fortuna? Quantas vezes
você leu sobre os dez passos para se tornar milionário ou sobre as sete dicas para ter uma vida de sucesso?
Falar sobre riqueza virou modinha há
muito tempo. Existem “trocentos” artigos sobre o tema. Então porque estamos
tratando disso novamente? Porque voltar a falar nesse assunto?
Digamos que sou um pouco teimoso com
coisas que me fascinam e, guardadas as “devidas pretensões”, acho que poderia acrescentar
algo de novo ao debate, com o cuidado de não me tornar
enfadonho ou chato mesmo.
Ao longo da vida, observando e tentando
entender o sucesso e a riqueza alheia – sou de origem muito pobre - e também
convivendo e aprendendo com pessoas muito ricas, em função de atividades desenvolvidas, pude captar alguns sinais e características comuns a todas as
pessoas bem sucedidas que conheci.
Em tese, trata-se de apenas uma característica
primária comum a todas as pessoas que conseguem acumular capital ao longo do
tempo, que eu batizei carinhosamente de ”cacoete de rico”.
Mas o que seria isso? Primeiro, vamos
relembrar o significado de cacoete: os principais sinônimos de cacoete são
“mania, gesto repetitivo, costume ou trejeito característico de uma pessoa,
expressões ou atos que tendem a ser repetitivos e que podem se transformar em
vícios”.
Podemos dizer então que cacoete de rico
é ter mania de rico, vício de ser rico, ou fazer gestos repetitivos que imitam os
ricos? Digamos que pode ser mais ou menos isso, mas não é bem isso.
Para começar a entender essa
característica que considero inerente às pessoas ricas, é importante reforçar que não estou
me referindo a pessoas que sabem ganhar dinheiro, e sim tratando de pessoas que
criam e mantém riqueza. São assuntos correlatos, mas coisas distintas. Ganhar dinheiro é uma coisa, criar e manter riqueza é
outra bem diferente.
Você pode pesquisar à vontade, pois existem
milhares de histórias de pessoas que ganharam muito dinheiro e acabaram na
miséria. O próprio processo de ganhar e perder dinheiro, e como as pessoas
lidam com isso, já nos fala muito sobre a personalidade dos envolvidos nessas
histórias.
Os atos de criar e manter riqueza estão
ligados a outras eficiências e padrões cognitivos, que são diferentes daqueles
relacionados às pessoas boas em fazer dinheiro. Algumas possuem
ambas as capacidades, mas a maioria, apenas uma parte, ou nenhuma delas.
Vamos pensar em duas situações e nas respostas que teríamos para elas:
Vamos pensar em duas situações e nas respostas que teríamos para elas:
Se alguém colocar na sua frente o carro
dos seus sonhos, lindo e maravilhoso, e o valor deste carro em dinheiro, e pedir para você escolher
entre um ou outro, de presente, você escolhe o carro ou o dinheiro? Pense em qual seria
a sua atitude.
Se alguém lhe perguntar quanto vale um
terreno de 1000 m2 bem no meio do deserto do Saara, sem nada em volta, e quanto vale um outro, igual, bem
no meio da ilha de Manhattan, em Nova Iorque, qual será a sua resposta?
A maioria das pessoas que ganha muito
dinheiro o faz com segundas intenções: comprar uma casa melhor ou um belo carro, adquirir mais bens materiais, pagar a faculdade dos filhos, satisfazer vaidades pessoais, ostentar para os amigos e família, e outras coisas mais.
O que percebi ao longo dos anos
observando pessoas ricas, é que elas possuem certas emoções e padrões
cognitivos diferentes da maioria, mas comuns entre elas, que foram determinantes
nas suas histórias de prosperidade. E tudo começa com uma simples constatação:
ELAS GOSTAM DE DINHEIRO.
As preocupações e emoções dos que buscam o dinheiro como um meio são diferentes dos sentimentos
que movem as pessoas que enxergam o dinheiro como um fim. E porque falar
em emoções e não em atitudes e habilidades? Porque atitude e habilidade as
pessoas que ganham dinheiro já tem. Não é isso que falta a elas. Ou você acha
que ganhar dinheiro honestamente é fácil?
Criar e manter riqueza precisa de algo diferente:
por isso que estamos falando em emoções. A emoção, como se diz na minha terra, é
a mão que segura a rédea que conduz o cavalo (ou o burro, conforme o caso e o tipo de emoção).
Em outras palavras: a emoção vem em
primeiro lugar. Toda a ação é precedida do pensamento e do sentimento. Em quase tudo
na vida. A maneira como você pensa e reage diante do dinheiro é que define se
você possui cacoete de rico ou não.
E por mais que gostar de dinheiro possa parecer um sentimento frio em relação à vida, as pessoas que pensam assim, paradoxalmente, desenvolvem ao longo do tempo um estilo de vida mais frugal, desapegado em relação aos bens materiais, justamente por aprender a abrir mão destes para ter a segurança financeira desejada. Descobrem com o tempo que o cúmulo do refinamento é a simplicidade. Aprendem com a vida.
E por mais que gostar de dinheiro possa parecer um sentimento frio em relação à vida, as pessoas que pensam assim, paradoxalmente, desenvolvem ao longo do tempo um estilo de vida mais frugal, desapegado em relação aos bens materiais, justamente por aprender a abrir mão destes para ter a segurança financeira desejada. Descobrem com o tempo que o cúmulo do refinamento é a simplicidade. Aprendem com a vida.
E as perguntas acima? Vamos às respostas?
Primeira: entre o carrão e o
dinheiro, quem tem cacoete de rico prefere o dinheiro, sempre, e isso vale para
o carro, o apartamento, obras de arte, joias, terrenos. Quem gosta de dinheiro
quer ter o controle do dinheiro, e não abre mão das inúmeras possibilidades que
o dinheiro proporciona. Quer ter o poder de decisão sobre o dinheiro. Nunca
esqueça que o dinheiro é ótimo para proporcionar coisas que não dependem
essencialmente dele. O dinheiro permite comprar o tempo, as habilidades e a produção de outras pessoas, ou seja, o suor alheio. É aí que reside o seu imenso valor. É por isso que as pessoas que entendem de dinheiro respeitam o dinheiro.
Segunda: o valor dos terrenos depende
do seu destino, ou seja, daquilo que se pretende fazer com eles. Se ficarem
parados no tempo, valem a mesma coisa, ou seja, nada. Agora, se você pretende
fazer algo com eles, usá-los de forma construtiva para gerar renda, bem, é certo
que o terreno em Manhattan vale muito mais que os mil metros de areia no Saara.
A não ser que você encontre petróleo ou diamantes por ali, e mesmo assim, terá custos altíssimos para colocar a mão nessa loteria.
E também não esqueça que preço e valor são coisas bem diferentes.
E também não esqueça que preço e valor são coisas bem diferentes.
Preço é a quantidade de unidades
monetárias que alguém pede por algo. Valor é a capacidade de alguma coisa gerar
renda. O que define o valor é a capacidade de geração de renda de um bem ou
meio de produção. É a renda que dá valor aos bens e não o contrário. De que
adianta imobilizar um milhão de dólares em uma cobertura e depois não ter renda para
pagar o condomínio. A renda vem primeiro, sempre.
E então, você gosta mais de comprar ou de
poupar? Gosta mais de bens e produtos ou de dinheiro? Você é capaz de entender
a diferença entre preço e valor? Pense um pouco a respeito. Voltaremos ao
assunto em outro post.
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