Nestas últimas semanas resolvi deixar de
lado outros temas que considero importantes, como as séries de artigos sobre
parlamentarismo e auditoria nas demonstrações contábeis, para mergulhar em
análises e avaliações de risco relacionadas à possibilidade de estarmos na
iminência de uma nova grande crise financeira global. Aliás, acredito que já
estamos vivendo esta nova crise.
Entendo que a crise de 2008 nunca foi
resolvida verdadeiramente. Foram tomadas medidas ao longo dos anos para atenuar
e esconder seus efeitos, esticando-a até um limite que considero hoje sem
retorno. A questão chave é: em que momento ocorrerá o “estouro”, o grande
crash, que fará com que a maioria dos ativos sofra imensa depreciação em poucas
semanas, mundo afora? Essa é a pergunta que vale bilhões.
Acho que a grande crise de 2008 não teve
o tratamento adequado. O excesso de liquidez dos mercados precisa ser
expurgado, pois chegou a níveis alarmantes. A atual sinuca de bico das grandes
economias e bancos centrais mundiais é consequência de 2008 e de outras
decisões anteriores, que geraram a própria crise de 2008. As doses excessivas
de “morfina” e “anabolizantes” aplicadas até hoje já não conseguem mais manter
o paciente estável (economia mundial).
Nos últimos 11 anos ocorreram os maiores
programas mundiais de afrouxamento monetário, principalmente via FED, BCE, BoE
e BOJ, seguidos logo após pelo banco central chinês (conhecidos por QEs –
quantitative easing). Cerca de US$ 15 trilhões foram despejados nos mercados
financeiros, jogando os juros governamentais e corporativos a níveis muito
baixos e até negativos em vários países.
E os resultados? Pífios. A economia
mundial segue andando de lado, com estagnação, recessão, subempregos e
desemprego em alta. Muito preocupante. Os velhos remédios não fazem mais
efeito. Essa é a sinuca de bico.
Os sinais de tempestade vêm de todas as direções, mas
é preciso de muita abstração e concentração para captá-los e tentar entender quais
serão os seus efeitos imediatos e de longo prazo. A onça-troy, por exemplo,
rompeu no início de agosto de 2019 a barreira dos US$ 1.500.00, fato que não
ocorria desde abril de 2013. Os maiores compradores de ouro são os bancos centrais
da Rússia, China e Índia, que estão fazendo este movimento silenciosamente
desde 2015. Agora não escondem mais. Veja em https://www.seudinheiro.com/bancos-centrais-buscam-protecao-e-compram-374-toneladas-de-ouro-em-2019/,
https://moneytimes.com.br/volume-de-compra-de-ouro-dos-bancos-centrais-atinge-maior-nivel-desde-1967/
e https://www.correiodobrasil.com.br/bancos-centrais-investem-contra-dolar-compra-ouro-bate-novo-recorde/.
Veja também o artigo The monetary policy endgame (o fim da
política monetária), de Rick Rieder, CIO global da BlackRock, disponível aqui https://www.blackrockblog.com/2019/09/05/monetary-policy-endgame/,
e o “mini pânico” que tomou conta dos mercados americanos no último dia 17/09/2019,
disponível aqui https://edition.cnn.com/2019/09/17/business/overnight-lending-rate-spike-ny-fed/index.html.
Gostaria de salientar que essas notícias
não são destacadas pela grande mídia. Muitas vezes nem aparecem – o que é mais
frequente. Quando viram destaque é porque o leite já está no chão. É preciso
analisar com muita atenção o atual contexto econômico global, pois a crise é
estrutural e não conjuntural, e deve impactar profundamente a vida econômica e financeira
de milhões de pessoas.
Também gostaria de compartilhar os links
abaixo, em que o economista e analista Fernando Ulrich aborda o assunto em vídeos
recentes, com muita propriedade: https://www.youtube.com/watch?v=zpHmV1hXaaA&feature=youtu.be,
https://www.youtube.com/watch?v=IkMxnuP_OF0,
https://www.youtube.com/watch?v=3SOHoC6Xafc.

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