quarta-feira, 17 de maio de 2017

Viva o dia da miséria

No Brasil, uma das coisas mais democráticas que existe é a miséria. Elege brancos, pretos, velhos, jovens, crianças, deficientes, homens e mulheres. É a socialização da tragédia do cotidiano, bem comum em nosso país.

A miséria, com seus braços abertos, parece um rastilho de pólvora. Vai de norte a sul numa velocidade impressionante, passando pelo litoral e pelo cerrado, por planícies e montanhas. Suas bases, claro, nascem em um formoso planalto central, e seus efeitos se espalham feito metástase em todos os "órgãos" desse corpo chamado Brasil. É um imenso "varejão", onde se compra de tudo, à vista e sem nota, e se vende principalmente a esperança e a dignidade de um povo manso e sofrido. 


Assim chego à conclusão que devemos extinguir o dia da mulher, da criança, das mães, dos pais, da consciência negra, do índio, etc. Basta que seja instituído o dia da miséria, com feriado nacional e comemorações em todo o país. Ao fazerem isso, nossos parlamentares estarão homenageando a grande maioria do povo brasileiro, de todos os cantos e recantos. Será um feriado da democracia, sem discriminações, pois a maioria dos brasileiros se sentirá "prestigiada" e "incluída". Será o êxtase do rivotril.


E ainda teremos algumas vantagens adicionais: muitos feriados serão reduzidos em apenas um, o país terá mais dias úteis para produzir mais e gerar mais riqueza, serão reduzidos os pontos facultativos no serviço público, aumentando a disponibilidade de atendimento à população, além de mudar um pouco a cultura dos feriados prolongados, dentre outros efeitos colaterais.

É ou não é uma ótima ideia?

Esqueçam, foi só um escorregão, um devaneio de um sonhador. Parlamentares adoram feriados, o povo adora feriados, e todos adoram votar em quem adora feriados...

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