Alguma
vez você produziu um pé de milho? Alguma vez você produziu um quilo de feijão
ou de arroz? Você já fabricou um par de sapatos, ou um prego que seja? Ou
talvez tenha produzido uma camisa ou uma calça?
Você
já trabalhou como motorista de um caminhão na área de logística e
abastecimento, que leva alimentos da distribuidora para o supermercado? Ou
atuou em uma empresa que fabrica peças para a produção de máquinas ou veículos?
Se
a resposta for não, então temos alguma coisa em comum, pois eu também, em quase
50 anos de vida nunca produzi nada para agregar valor ao PIB do meu país. Todas
as atividades citadas nas perguntas acima fazem parte do processo de criação de
riqueza do país, de forma direta ou indireta, ou seja, fazem parte da
composição do Produto Interno Bruto.
O
PIB é a soma de todos os produtos produzidos por uma nação, com algumas regras
e alguns conceitos econômicos, matemáticos e estatísticos. Mas, em regra geral,
pode-se dizer que o PIB é a soma de toda a riqueza produzida por um país em um
determinado período, nos setores primário, secundário e terciário da economia.
Quem
produz alimento ou vestuário, por exemplo, está ajudando a aumentar o PIB e a
riqueza que é produzida, seja para consumo interno ou para exportação, além de
garantir alimento e agasalho para as pessoas.
Como
estava dizendo, nunca produzi riqueza para o meu país. Sempre trabalhei no
setor terciário da economia, em instituição financeira. O setor de terciário,
para existir, depende do setor secundário (produção industrial) e do setor
primário (produção de alimentos e derivados, commodities em geral).
Um país com setores primário e secundário desenvolvidos também apresenta setor terciário competitivo e amplo, com diversos serviços a disposição dos consumidores. Por isso que, quando as commodities ou indústria vão mal, o setor de serviços sofre.
Um país com setores primário e secundário desenvolvidos também apresenta setor terciário competitivo e amplo, com diversos serviços a disposição dos consumidores. Por isso que, quando as commodities ou indústria vão mal, o setor de serviços sofre.
Desta
forma, existem dois tipos de pessoas na sociedade: aquelas que produzem riqueza
(e também consomem a riqueza produzida) e aquelas que somente consomem a
riqueza produzida por outros, sem auxiliar no processo de criação e formação da
riqueza.
Existem
alguns setores, inclusive, que além de não produzirem riqueza, ainda atrapalham
quem o faz. É o caso do sistema bancário, onde trabalho, cujos serviços
oferecidos - muitas vezes em descompasso com as necessidades dos clientes, e os
juros cobrados nos empréstimos - geralmente altos, são um entrave ao
financiamento da atividade produtiva e uma das causas dos nossos preços pouco
competitivos em relação ao mercado externo, uma vez que os custos de
financiamento compõem os custos da atividade produtiva e elevam o preço final
dos produtos, juntamente com os excessivos impostos cobrados em várias fases do
processo produtivo (deixarei estes para um outro post).
Não
é de graça que no Brasil as empresas que mais lucram desde a década de 80 são
os bancos. Não se pode esperar muito, nem futuro, de um país em que os
intermediários financeiros, que não produzem nada, lucram mais do que os
agentes produtivos. Então,
para aumentar meu dilema econômico existencial, além de nunca ter produzido
riqueza, ainda trabalho em um setor que atrapalha a criação dessa riqueza. É
muita tortura.
Mas
posso me consolar ao lembrar que tenho consciência desses fatos e que, pelo
menos, sempre respeitei e admirei aqueles que “dão duro”, diariamente, para
produzir a riqueza que sustenta essa nação e ajudam a compor o orçamento da
União, através de todos os impostos diretos e indiretos que “nascem” em
consequência da produção de bens e serviços, diferentemente de outras pessoas
que nunca produziram nada em suas vidas, vivem somente de consumir a riqueza
produzida pelos outros e adoram criticar o sistema produtivo do país, com o
rigor e a petulância de quem só enxerga o espelho, sem contribuir com trabalho
ou ideias para melhorar a situação.
Vejo
muitas pessoas e entidades criticando setores, empresários, agentes produtivos,
por este ou aquele motivo. Claro que sempre existem dois lados em uma moeda –
às vezes três – mas qual setor, grupo, ou classe é perfeita? Quem não trabalha
para defender seus interesses? Sempre existirão pessoas não éticas, sejam
patrões, empregados ou agentes públicos.
Aqui
faço uma ressalva àquelas profissões que, embora não estejam ligadas direta ou
indiretamente à produção de riqueza para a nação, são essenciais para toda a
sociedade. São as atividades ligadas à segurança pública, saúde e educação, representadas
por médicos, enfermeiros, profissionais de saúde em geral, professores e
educadores em geral, policiais, bombeiros e seguranças em geral. São
imprescindíveis a todos nós.
Sendo
assim, entre a luz e o calor, ainda prefiro aqueles que fazem a diferença para
a sociedade e não aqueles que criticam muito e não criam nada, e que vivem
daqueles que efetivamente tem valor para a grandeza de uma nação.
Entre
sindicalistas, políticos, funcionários públicos, cargos de confiança em órgãos
públicos, burocratas em geral e outras profissões - como a minha, que possuem
sua função na sociedade, claro, mas não são determinantes para o progresso da
nação, saúdo os verdadeiros heróis desse país, que do seu anonimato e silêncio,
fazem a diferença e mantém nossas esperanças em dias melhores.
E
aí, você faz parte daquele grupo que produz a riqueza que sustenta o país? Meus
parabéns e minha gratidão.
Ou
você, assim como eu, não cria riqueza, mas reconhece e respeita quem o faz?
Sinto por você – e por mim, mas registre-se o bom senso e a sobriedade.
Ou
você é, por fim, daquele grupo que não produz riqueza, critica quem o faz, se
acha um sabichão e ainda acha que tem razão? Sinto muito por você, mas,
lembre-se, nunca é tarde para se reposicionar, aprender e mudar, desde que ainda não tenha perdido o equilíbrio e a humildade.
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