Porque as grandes
empreiteiras nacionais não aproveitaram o “boom”
dos IPO entre 2007 e 2013 para abrir o capital?
O
que as grandes empreiteiras Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez,
Queiroz Galvão, Mendes Junior... têm em comum, além de estarem todas enroladas
até o pescoço na Operação Lava Jato?
Algo
que ninguém na mídia até hoje percebeu ou comentou. Nenhuma delas aproveitou o
período altamente favorável proporcionado nos últimos anos para se tornar uma
sociedade anônima de capital aberto e captar recursos no mercado de capitais,
uma das melhores e mais baratas fontes de financiamento existentes no mercado, senão a melhor.
Tenho
muita curiosidade sobre isso. Ao mesmo tempo em que quase todas as grandes
empresas de vários outros setores foram por este caminho, abrindo seu capital
através do processo conhecido como IPO – Initial Public Offering, ou Oferta Pública
Inicial de Ações, em português - as nossas famosas empreiteiras, gigantes do
setor, preferiram continuar no velho modelo.
Mas
também tem aquele diabinho sabe, que fica no ouvido da gente perguntando: se
eram “donas” do Brasil e mandavam nas empresas públicas e nos políticos que
detinham a “caneta das nomeações” e a “chave do cofre” do orçamento, não
precisavam mesmo abrir o capital, né? Para que abrir capital se eram “sócias”
do maior parceiro comercial que uma empresa pode ter no Brasil: o Tesouro Nacional?
O
grande inconveniente de abrir o capital, se transformando em uma sociedade por
ações de capital aberto, é ter que aumentar a transparência das operações e
divulgar informações relevantes ao mercado. São as regras de governança
corporativa, novo mercado e outras, reguladas pelo Banco Central, Bovespa e CVM,
dentre outros.
Será
que todas estas empreiteiras pesaram os prós e contras e concluíram que era
melhor manter suas informações “fechadas” e seguir “mamando” nos recursos
públicos sobre os quais tinham ingerência política? É uma pergunta teórica, claro. É o diabinho pensando...
Esta
é a minha teoria para explicar os motivos pelos quais estas empresas deram as
costas para o mercado de capitais brasileiro no melhor momento que tivemos nos
últimos 30 anos: ainda melhor que captar recursos baratos no mercado acionário
é poder fazer isso diretamente dos cofres públicos, via BNDES, BB, CEF, fundos
governamentais, FGTS, dentre outros, superfaturando obras e pagando propinas a políticos e governantes. Tudo isso financiado com os recursos dos pagadores de
impostos, todos nós, como sempre, afinal estamos falando do Brasil, né?
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