sábado, 30 de novembro de 2019

República Parlamentarista do Brasil - parte 5: o sistema francês

Seguindo com a nossa série de artigos sobre o parlamentarismo, vamos falar um pouco sobre o sistema francês, com suas semelhanças e diferenças em relação aos sistemas italiano e português.

Resumo das principais características do parlamentarismo francês:

A França é considerada uma república democrática semipresidencialista, um sistema de governo em que a chefia do executivo é compartilhada entre presidente da república e primeiro-ministro, onde a linha divisória entre os poderes de chefe de estado e chefe de governo pode variar de país para país.

A estrutura do parlamento francês é bicameral (senado e assembleia nacional), assim como no sistema italiano. Os parlamentares são eleitos pela sociedade, através do voto direto, em dois turnos.

No sistema francês, o presidente da república possui um maior protagonismo em relação ao primeiro-ministro, em comparação ao sistema italiano. Neste sentido, é mais próximo ao semipresidencialismo português.

O presidente da república (chefe de estado) é eleito através do voto direto da população desde 1962, e candidaturas avulsas são permitidas, apesar de pouco frequentes. Os candidatos independentes são conhecidos por sans étiquette (sem etiqueta, em tradução livre). O mandato presidencial é de cinco anos, com possibilidade de reeleição para mais um mandato.

Apesar do fato acima, nas últimas eleições, em 2017, Emmanuel Macron chegou ao poder na França como candidato independente, a partir do movimento político Republique En Marche. Somente após a eleição o movimento se tornou um partido político. Na Alemanha, em 2012, Joachim Gauck também foi presidente da república da mesma forma, sem vínculo partidário.

A diferença foi apenas no processo, uma vez que na Alemanha o presidente foi nomeado pela Assembleia Federal e na França ocorreu eleição direta pela sociedade, conforme leis eleitorais de cada país. A possibilidade de candidaturas avulsas existe em mais de 90% dos países do mundo, estando o Brasil entre as poucas exceções, ao lado de Argentina, África do Sul, Suriname e Camboja.

As atribuições do presidente da república na França e Itália são semelhantes e, em ambos os casos, são responsáveis pela nomeação do primeiro-ministro e, através deste, dos membros do conselho de ministros, por promulgar e vetar leis, pelo comando das forças armadas, por convocar referendos sobre assuntos específicos e por dissolver a assembleia nacional, em situações de grave crise. No caso de impedimento do presidente da república, assume o presidente do senado, interinamente, até a realização de novas eleições.

Comentário 1: uma pessoa que deseje se candidatar a um cargo eletivo no Brasil é obrigada a se filiar a um partido político e concorrer através deste. Candidaturas avulsas são proibidas desde a constituição de 1945. Alguém que discorde das estruturas partidárias ou não aceite certas regras, ideologias e decisões obscuras envolvendo fundos partidários e públicos, nos atuais partidos vigentes, por exemplo, simplesmente não pode se candidatar. Essa é a regra por aqui. Entendo que candidaturas avulsas são bem vindas e quebram o monopólio conferido aos partidos para servirem de filtro para aqueles possíveis candidatos que, ou aceitam as regras impostas (dançam conforme a música) ou simplesmente são alijados do processo.

Comentário 2: também defendo o fim do fundo partidário com recursos públicos. Cada partido deveria buscar recursos através da defesa e disseminação dos seus projetos e ideais. Quem gosta se filia e contribui. Simples assim. Desta forma acabaríamos com essa promiscuidade e vulgaridade que tomou conta dos atuais 32 partidos políticos existentes no Brasil, número este que por si só já é uma piada, de muito mau gosto.

O primeiro-ministro (chefe de governo) é nomeado pelo presidente da república e necessita da moção de confiança do parlamento para poder governar, assim como na Itália e Portugal. Cabe ao primeiro-ministro dirigir a ação governamental - decidida pelo presidente da república, em suas grandes linhas.

O primeiro-ministro é teoricamente o chefe de governo, mas, de fato, o presidente da república é quem desempenha este papel, enquanto o primeiro-ministro aplica a política de Chefe de Estado. É neste sentido que o presidente da república, na França, possui um maior protagonismo.

Em normas gerais, o primeiro-ministro é indicado e escolhido por liderar a maior corrente política dentro do parlamento, mas isto não impede o presidente da república de nomear alguém de fora do parlamento, que não seja deputado ou senador.

Comentário 3: entendo ser uma ameaça a adoção dessa característica em um sistema parlamentarista no Brasil, justamente por desequilibrar os contrapesos do poder e enfraquecer a segregação entre as funções do presidente e do primeiro-ministro. Em nosso país, o presidente já controla o orçamento e as nomeações, ao mesmo tempo em que promulga ou veta leis, e isto é uma das grandes causas dos problemas do nosso presidencialismo de coalizão.

No próximo e último artigo desta série veremos uma proposta de parlamentarismo que deveria ser adotada pelo Brasil, e que, no meu entendimento, colocaria o país definitivamente no caminho certo para se tornar uma nação desenvolvida em pouco mais de dez anos, aproximadamente.

Com a implantação da República Parlamentarista do Brasil, nos moldes dessa proposta, um futuro de maior consciência moral e coletiva finalmente chegará para a nação conhecida como país do futuro, pátria do cruzeiro e coração do mundo.




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