quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Balanço Patrimonial da Pessoa Física – parte 5

Seguindo o raciocínio descrito no post anterior, vamos imaginar a manutenção da citada estratégia de investimento por mais três anos, para poder analisar o BP após quatro anos da decisão de investir em ativos ao invés de trocar de carro:

  Balanço Patrimonial – 2º ano
ATIVO
PASSIVO
1. Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
2. Aplicação financeira de R$ 60.000,00 (R$ 55 mil do ano anterior mais R$ 5 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 300,00/mês = R$ 4.000,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
3. Aplicação financeira de R$ 46.000,00 (R$ 43 mil do ano anterior mais R$ 3.000 da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 230,00/mês = R$ 2.800,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
4. Nova aplicação financeira de R$ 46.000,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 230,00/mês = R$ 2.800,00/ano com juros sobre juros

Total Ativo = 152.000,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 142.000,00

Total geração receitas ano = 93.600,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 47.600,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO


  Balanço Patrimonial – 3º ano
ATIVO
PASSIVO
1. Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
2. Aplicação financeira de R$ 64.000,00 (R$ 60 mil do ano anterior mais R$ 4 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 350,00/mês = R$ 4.200,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
3. Aplicação financeira de R$ 48.800,00 (R$ 46 mil do ano anterior mais R$ 2.800 da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 250,00/mês = R$ 3.000,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
4. Segunda aplicação financeira de R$ 48.800,00 (os outros R$ 46 mil do ano anterior mais R$ 2.800 da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 250,00/mês = R$ 3.000,00/ano com juros sobre juros

5. Nova aplicação financeira de R$ 47.600,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 240,00/mês = R$ 2.880,00/ano com juros sobre juros

Total Ativo = 209.200,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 199.200,00

Total geração receitas ano = 97.080,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 51.080,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO


  Balanço Patrimonial – 4º ano
ATIVO
PASSIVO
1. Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
2. Aplicação financeira de R$ 68.200,00 (R$ 64 mil do ano anterior mais R$ 4,2 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 400,00/mês = R$ 5.000,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
3. Aplicação financeira de R$ 51.800,00 (R$ 48,8 mil do ano anterior mais R$ 3 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 300,00/mês = R$ 3.800,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
4. Segunda aplicação financeira de R$ 51.800,00 (R$ 48,8 mil do ano anterior mais R$ 3 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 300,00/mês = R$ 3.800,00/ano com juros sobre juros

5. Terceira aplicação financeira de R$ 50.480,00 (47,6 mil do ano anterior mais 2,88 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 260,00/mês = R$ 3.200,00/ano com juros sobre juros

6. Nova aplicação financeira de R$ 51.080,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 270,00/mês = R$ 3.300,00/ano com juros sobre juros

Total Ativo = 273.360,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 263.360,00

Total geração receitas ano = 103.100,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 57.100,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO

Muito bem, chegamos ao final da nossa simulação. Após quatro anos da decisão de não comprar o veículo novo, vamos comparar os valores atuais com os valores da época:

O Ativo passou de R$ 50 mil para R$ 273,3 mil, incremento de 447%.

O Passivo continuou com o mesmo valor de R$10 mil, uma vez que a nossa proposta era evitar novos passivos e focar na criação de ativos.

O Patrimônio Líquido cresceu de R$ 40 mil para R$ 263,3 mil, incremento de 558%.

O total da geração de receitas do ano “zero” para o quarto ano passou de R$ 89 mil para R$ 103,1 mil, incremento de 15,8%. Novamente parece pouco, não é? Entretanto, como comentamos no artigo anterior, se olharmos com mais atenção, todo o fluxo de caixa positivo de um ano (receitas – despesas) se transforma em fator gerador de renda no ano seguinte, pela reaplicação desse recurso no ATIVO (no nosso caso em aplicações financeiras).

Formação dos fluxos de caixa positivos durante os últimos quatro anos (em R$):
Período
Geração de receitas (trabalho assalariado + renda das aplicações)
Geração de despesas
Fluxo Caixa Positivo

FATURAMENTO DA PESSOA FÍSICA
DESPESAS OPERACIONAIS
LUCRO OPERACIONAL
Ano 0
84.000,00 + 5.000,00 = 89.000,00
46.000,00
43.000,00
Ano 1
84.000,00 + 8.000,00 = 92.000,00
46.000,00
46.000,00
Ano 2
84.000,00 + 9.600,00 = 93.600,00
46.000,00
47.600,00
Ano 3
84.000,00 + 13.080,00 = 97.080,00
46.000,00
51.080,00
Ano 4
84.000,00 + 19.100,00 = 103.100,00
46.000,00
57.100,00
Totais
420.000,00 + 54.780,00 = 474.780,00
230.000,00
244.780,00

Dessa forma, se considerarmos os Fluxos de Caixa Positivos ano a ano, a geração de renda das aplicações financeiras resultou em um total de R$ 54,7 mil, que se transformou em fator gerador de renda acumulado no período de quatro anos, sensibilizando o ATIVO total acumulado.

Ao somarmos essa quantia à geração de renda do trabalho assalariado, chegamos a um total de R$ 474,7 mil, que poderíamos “apelidar” de FATURAMENTO DA PESSOA FÍSICA no período, montante nada desprezível, que demonstra o potencial dessa metodologia, no longo prazo, para o acumulo de ATIVOS GERADORES DE RENDA.

Você lembra a 3ª parte do artigo, quando simulamos a compra do carro novo (à vista e a prazo) e os efeitos dessa decisão no BP-PF? O valor do veículo era R$ 60 mil. A decisão de não comprar o carro novo e investir em Ativos gerou em quatro anos a quantia de R$ 54,7 mil. Quanto valeria hoje o veículo, sabendo-se que a depreciação nos primeiros anos é sempre maior?

Poderíamos calcular a desvalorização em pelo menos 40%, ou seja, o carro agora usado valeria aproximadamente R$ 36 mil, bem menos que os R$ 54,7 mil de renda gerados pela acumulação de Ativos. Teríamos hoje praticamente o valor total do carro zero, sem fazer financiamento e sem abrir mão da aplicação financeira existente à época. Veja como foi bom adiar a compra do carro. Um belo negócio, não é mesmo!

Pela metodologia acima, parece que nunca haverá um bom momento para essa compra. Parece mesmo, mas como veremos no próximo artigo, teremos sim a oportunidade de comprar um carro mais novo, após analisarmos os custos da operação e o custo de oportunidade. Você saberá quando e como deverá fazer.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Em defesa dos Deveres Humanos

A primeira grande diferença entre direito e dever é que o primeiro é uma possibilidade e o segundo, uma obrigação. Nunca esqueça isso. Parece pouco, mas compreender essa pequena diferença é determinante para uma total mudança de conceitos em uma sociedade.

John Fitzgerald Kennedy disse em um de seus famosos discursos: “não pergunte o que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer por seu país”. Não acho que devemos chegar ao extremo de abdicar de direitos para apenas cumprir deveres, mas com certeza este pensamento é um símbolo da consciência do dever individual, formador do amálgama de um povo, premissa para uma proposta de futuro digno para uma nação.

Se você acha, por exemplo, que tem direito à educação pública de boa qualidade, você também tem o dever de estudar muito, aprender de verdade, respeitar os professores e tirar boas notas.

Se você acha que tem direito a um sistema de saúde público de qualidade, você também tem o dever de cuidar da sua saúde, para não onerar o sistema, e ser íntegro, não pedindo atestados médicos falsos ou por motivos pífios apenas para conseguir umas folgas.

Se você acha que a violência atual é um absurdo e que o estado deveria proporcionar segurança pública de qualidade, você também tem a obrigação de contribuir para a segurança da sua cidade, não financiando as organizações criminosas através da compra de cocaína ou outras drogas.

A dignidade humana não brota dos direitos recebidos e sim dos deveres cumpridos, da superação. É assim que se criam os homens fortes.

Antigamente, na esfera pública, para ser prefeito, parlamentar, juiz ou delegado, um cidadão era escolhido entre seus pares e convidado a concorrer em função dos seus atos passados e exemplos de vida, como acontece nas tribos indígenas e africanas em relação aos líderes, geralmente os anciões e sábios.

Representar a sociedade era um prêmio, um reconhecimento pela honra e dignidade. O passado de uma pessoa era seu atestado de idoneidade. E para a comunidade era mais fácil escolher entre os mais velhos, pois estes já haviam demonstrado durante a vida suas competências e valores morais, diferentemente dos mais jovens, que são sempre uma aposta, pois ainda não possuem uma história de vida a ser avaliada.

Em muitas localidades do Brasil, até meados da década de 70, a função de vereador não era remunerada. Era uma missão dada aos escolhidos pela sua comunidade. Os trabalhos na Câmara de Vereadores eram à noite, ou em um determinado dia da semana, para não comprometer os afazeres pessoais dos eleitos, pois todos eles tinham outras profissões ou atividades para garantir-lhes o sustento. Eram pessoas que serviam à sociedade e não geravam custos aos pagadores de impostos. Não se serviam dela.

Hoje, muitos encontram na política uma carreira promissora, uma fonte de renda abundante e a possibilidade de satisfazer vaidades e narcisismos. Infelizmente, a política também pode servir para compensar fracassos profissionais, emocionais ou familiares. É por isso que existem tantos políticos ruins e militantes imbecilizados: fizeram da política a “tábua de salvação” dos seus fracassos pessoais.

Conheço prefeitos que nunca se preocuparam ou souberam cuidar do orçamento doméstico ou de uma pequena empresa, e se acham capazes de administrar uma cidade.

Conheço deputados e deputadas que nunca tiveram outra atividade na vida a não ser a política. Nunca conseguiram cumprir pequenas regras de convivência do lar quando adolescentes (arrumar o quarto, lavar a louça, lavar as próprias roupas), e se acham capazes de propor leis que alteram a vida das pessoas de uma hora para outra, como se fossem senhores do destino.

Conheço juízes que nunca conseguiram manter uma relação estável com um companheiro ou companheira, não possuem filhos, e se acham capazes de decidir sobre complexas questões familiares.

Bons médicos, professores experientes, engenheiros e contadores renomados, só para citar alguns casos, muitas vezes não dispõem de tempo para se dedicar à política, pois são muito demandados em suas profissões. É assim que a política, na maioria das vezes, cai nas mãos dos medíocres, dos preguiçosos e dos malandros. Essa é uma história muito comum no Brasil.

E qual o resultado disso tudo? Podemos responder com aquele conhecido ditado oriental:

“Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis...”

Vivemos tempos difíceis, com homens fracos, medíocres, malandros e preguiçosos. Não será fácil consertar esse país. Essa mentalidade de pensar apenas “nos meus direitos”, predominante no Brasil, não é a única causa, mas é uma das maiores protagonistas do fracasso dessa nação.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O Balanço Patrimonial da Pessoa Física – parte 4

Continuando com a estruturação do nosso Balanço Patrimonial Pessoa Física (BP-PF), vamos retornar ao artigo anterior no ponto em que discutíamos a decisão de comprar o veículo novo (compra à vista ou compra financiada).

Naquele momento foi possível observar claramente que ambas as decisões de compra (à vista e com financiamento bancário) foram determinantes para a redução da geração de caixa ocorrida no BP-PF. Podemos concluir que, financeiramente, a compra do carro foi uma péssima decisão.

O fluxo de caixa positivo se reduziu de R$ 43 mil para R$ 35 mil e depois para R$ 20 mil, na medida em que as opções de compra do veículo eram analisadas. Da mesma forma, o Patrimônio Líquido que era POSITIVO em R$ 40 mil se transformou em Patrimônio NEGATIVO de R$ 60 mil, numa variação NEGATIVA de R$ 100 mil.

Estes foram os impactos mais visíveis e marcantes de apenas uma decisão errada, referente à compra de um veículo novo. Imagine a quantidade de equívocos que podem ocorrer quando não se possui uma visão mais abrangente dos aspectos financeiros que influenciam as decisões de investimento. Esse é um dilema constante vivenciado no ambiente empresarial e que, como se percebe agora, afeta diretamente as pessoas físicas também.

Por isso é tão importante conhecer os princípios de Análise Econômica e Financeira de Empresas e direcioná-los às nossas vidas. O entendimento desses conceitos pode e deve contribuir para a construção de ATIVOS GERADORES DE RENDA durante aqueles anos em que somos mais produtivos e cheios de energia, para que possamos preparar uma velhice tranquila e confortável. 

Vamos rever a situação inicial descrita no artigo anterior:

“Imagine que você é relativamente jovem, vive apenas para si e possua um bom emprego para os padrões brasileiros”. Seu Balanço Patrimonial poderia ser assim:

ATIVO
PASSIVO
Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
Aplicação financeira de R$ 50.000,00 (gera renda extra de R$ 400,00/mês = R$ 5.000,00/ano com juros sobre juros)
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
Outros ativos e receitas = 0,00
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
Total Ativo = 50.000,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 40.000,00

Total geração receitas ano = 89.000,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 43.000,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO

Você possui um emprego estável que produz R$ 7 mil de caixa positivo mensalmente e contribui para que seu Patrimônio Líquido anual seja positivo em R$ 40 mil (ativos – passivos). Esta situação se reflete em um fluxo de caixa positivo de R$ 43 mil por ano.

Esses R$ 43 mil anuais podem e devem ser reinvestidos no ativo, renovando seus investimentos e aumentando sua geração positiva de caixa ano após ano, possibilitando que a geração de caixa dos seus investimentos supere, no longo prazo, a geração de caixa do seu trabalho assalariado. É reinvestir o lucro no giro dos negócios (ativo circulante), como as empresas fazem, ou deveriam fazer.”

Antes de continuar, uma observação: quando se trabalha com projeções de longo prazo, os efeitos da perda de poder de compra da moeda (inflação) e do custo de oportunidade do capital (risco/retorno) devem ser calculados sempre. Entretanto, para efeitos didáticos, desprezaremos estas variáveis no exemplo para não complicar muito a estruturação do nosso BP. Trabalharemos com valores nominais para os próximos períodos supondo que, da mesma forma que a inflação corrige as despesas do Passivo, as reposições salariais atualizam a principal receita do Ativo.

Desta forma, consideraremos no BP apenas novas receitas e despesas criadas ao longo do tempo, lembrando que a principal receita incremental gerada no Ativo provém das remunerações obtidas sobre as sobras do trabalho assalariado. Mesmo assim, é sempre importante lembrar que, no longo prazo, a tendência é a inflação “ganhar” da correção dos salários.

Agora vamos analisar os efeitos da decisão correta que deveria ter sido tomada à época, ou seja, não comprar o carro novo. Você ponderou que, sem maiores compromissos de longo prazo, poderia adiar a troca do carro e continuar investindo seus recursos excedentes na CRIAÇÃO DE ATIVOS. Vamos ver como ficaria o BP no ano seguinte:

Balanço Patrimonial – um ano depois

ATIVO
PASSIVO
Emprego (gera renda líquida média de R$ 7.000,00/mês = R$ 84.000,00/ano)
Veículo próprio avaliado em R$ 10.000,00 (gera despesa de R$ 4.000,00/ano com IPVA, seguro, manutenção e combustível)
Aplicação financeira de R$ 55.000,00 (R$ 50 mil do ano anterior mais R$ 5 mil da renda anual do ano anterior). Gera renda extra de R$ 400,00/mês = R$ 5.000,00/ano com juros sobre juros
Despesa de aluguel, condomínio, energia elétrica e telefone de R$ 1.500,00/mês = R$ 18.000,00/ano
Nova aplicação financeira de R$ 43.000,00 (fluxo de caixa positivo gerado no ano anterior). Gera renda extra de R$ 250,00/mês = R$ 3.000,00/ano com juros sobre juros
Outras despesas (vestuário, alimentação, viagens, plano saúde, outras) = R$ 2.000,00/mês = R$ 24.000,00/ano
Total Ativo = 98.000,00
Total Passivo = 10.000,00
Patrimônio Líquido Positivo = 88.000,00

Total geração receitas ano = 92.000,00
Total geração despesas ano = 46.000,00
Fluxo de caixa positivo = 46.000,00/ano
Fluxo de caixa negativo = ZERO

Note que os Ativos quase dobraram de um ano para o outro, fortalecendo o Patrimônio Líquido Positivo, que passou de R$ 40 mil para R$ 88 mil (incremento de 120%), fazendo o fluxo de caixa aumentar de R$ 43 mil para R$ 46 mil.

Observe que um aumento de quase 100% nos Ativos gerou um acréscimo de “apenas” R$ 3 mil na geração de caixa de um ano para o outro. Parece pouco, não é verdade? Parece, mas não é.

Deve-se levar em conta que a geração de caixa do exercício anterior, que era renda, foi incorporada ao Ativo neste exercício, tornando-se FATOR GERADOR DE RENDA (os R$ 5 mil de rendimento da aplicação de R$ 50 mil do ano anterior se transformou em aplicação de R$ 55 mil neste último exercício).

Nos últimos dois anos, a geração de caixa das aplicações financeiras foi de R$ 13 mil (R$ 5.000,00 + R$ 5.000,00 + R$ 3.000,00). A cada ano que passa, a renda gerada se transforma em fator gerador de renda, pelo reinvestimento do ganho no giro do negócio, como se diz no jargão empresarial.

Isso tudo porque simulamos investimentos no mercado financeiro, em aplicação de baixo risco. Nos últimos meses, os juros básicos da economia caíram muito em relação à sua série histórica, fazendo com que o retorno dos investimentos seja mais lento. Caso os juros voltem para uma média histórica de 1% ao mês ou um pouco mais, o retorno será maior, em menor prazo. Você também poderá encontrar outros tipos de investimento com retornos mais atraentes, em outras áreas.

Na análise de rentabilidade, também é importante relembrar as observações finais do artigo anterior: os custos das despesas geradas no Passivo geralmente são maiores que os ganhos das receitas geradas no Ativo, uma vez que, no mercado bancário, para pessoas físicas, as taxas de custeio dos empréstimos quase sempre superam as taxas de remuneração do capital.

Portanto, para não perder geração de caixa, é importante SEMPRE MANTER ATIVOS EM PROPORÇÃO SUPERIOR AOS PASSIVOS, ou simplesmente reduzir Passivos, quando não for possível gerar novos Ativos.

No próximo post seguiremos com o mesmo raciocínio, projetando essa estratégia para os anos seguintes (próximos três anos), para podermos analisar o BP após quatro anos da decisão de não comprar o veículo novo.

Aguarde!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Estrada & Panela – La vera perla delle Dolomiti

Federico Martini, meu bisavô, nasceu em uma pequena cidade italiana chamada Cesiomaggiore, localizada na província de Belluno, na região setentrional do Vêneto, norte da Itália, quase na fronteira com a Áustria.

É uma região montanhosa, uma derivação dos alpes suíços e austríacos, mais conhecida por Le Dolomiti ou le montagne rosa. As Dolomitas - ou montanhas rosa – são consideradas patrimônio da humanidade pela UNESCO e compõem uma cadeia de montanhas que se estende da fronteira com a  Áustria até o sul da província de Belluno, onde os maciços terminam e cedem espaço a uma vasta planície, que começa em Vittorio Vêneto e vai até Veneza, no Mar Adriático.

As principais cidades da região são Belluno e Cortina D’Ampezzo - sede das olimpíadas de inverno de 1956. Nesta região existem dois grandes parques nacionais que valem cada minuto do seu tempo: o Parco Nazionale Delle Dolomiti Bellunesi e o Parco Naturale di Fanes-Sennes-Braies, com suas montanhas de granito, florestas imensas e lagos cristalinos, de rara beleza.

Também vale a pena conhecer outras pequenas cidades vizinhas, como San Vito di Cadore e Auronzo di Cadore, lindas e aconchegantes, além da estrada que liga Cortina D’Ampezzo a Bolzano, considerado um dos caminhos mais lindos dos alpes para se percorrer de carro, moto, bicicleta, a pé,  ou seja, de qualquer jeito, a depender do tempo.

Antes da nevasca

Depois da nevasca

Na região há várias paisagens consideradas como “pérolas das dolomitas”, mas para não fugir do objetivo da nossa seção, descobrimos encravada nas montanhas a verdadeira pérola dos alpes italianos: o casunziei all’ampezzana ou casunziei ampezzani, uma delícia culinária escondida entre vilarejos e estações de esqui.

Trata-se de uma espécie de tortei feito com massa caseira, recheado com uma pasta de beterraba e ricota defumada, salpicado com pimenta em pó. O prato é muito simples e o sabor é indescritível. O segredo está na combinação dos ingredientes, e, claro, nas mãos divinas que o preparam. Confira a receita aqui: http://www.piattoforte.it/r/ricetta/casunziei-ampezzani-181.html.

Para acompanhar, lógico, um buon vino della regione! Recomendo o Masi Bonacosta Rosso, da Valpolicella, uma linha pouco divulgada no Brasil, que produz um vinho bem encorpado, com bouquet marcante e preço bem acessível, em euros.

O restaurante escolhido para o “crime” chama-se, coincidentemente, Ristorante Pizzeria La Perla, localizado na Piazza San Francesco, 3 – Cortina D’Ampezzo, bem no centrinho, com pastas e pizzas feitas na hora, em forno a lenha.



Enquanto saboreava aquela maravilha, um pensamento me ocorreu: o nono Federico nasceu num lugar abençoado, mesmo para aquela época em que tudo era mais difícil. Pena que não pôde ficar por lá.

Para maiores informações acesse https://www.ideegreen.it/parco-nazionale-delle-dolomiti-bellunesi-76992.html, http://www.dolomitipark.it/ e http://www.cortinadolomiti.eu/IT/ristorante-pizzeria-la-perla/

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A chance de ouro que o governo Trump está dando ao Brasil – a limonada

Retornamos à pergunta: onde está a grande oportunidade?

A grande oportunidade, como sempre, é fazer o dever de casa. A diferença, neste momento, é que o Brasil não tem mais saída, não tem como protelar aquilo que já deveria ter feito. Hoje, mais do que nunca, precisamos de mudanças estruturais e não apenas de “puxadinhos”, usados com fim eleitoral para enganar os incautos e empurrar os problemas para o futuro. Isso já foi feito inúmeras vezes e agora o futuro bate à porta.

Mais importante que as famosas reformas da previdência e trabalhista, a reforma tributária será imperativa e sua força virá de fora, justamente pela pressão que a reforma americana imporá à economia brasileira.

Seremos forçados a reduzir impostos, em sintonia com uma tendência mundial, para sobrevivermos em um mundo com produtos cada vez mais baratos. Ou isso ou a miséria.

Em um primeiro momento, a redução de impostos diminuirá a arrecadação tributária e significará menos recursos no orçamento da União. Os mais afoitos gritarão que teremos menos investimentos governamentais, com agravamento da crise e ameaça às conquistas sociais. É uma meia verdade. Claro que no início não será fácil. Será uma limonada sem açúcar, e a pressão para não fazê-la será imensa.

Mas vamos analisar um pouco melhor suas consequências. Uma reforma tributária semelhante à americana reduzirá a arrecadação tributária, certamente, mas isso não significa necessariamente redução no orçamento federal, uma vez que os custos das empresas brasileiras serão aliviados e poderemos ter uma manutenção - ou até redução - nos preços dos produtos, tal qual nos Estados Unidos.

Uma deflação de preços, ou mesmo uma simples manutenção destes (parando de subir), dará ao Brasil a tão sonhada oportunidade de reduzir as taxas de juros da economia para os níveis dos países desenvolvidos, ao redor de 1,5% ou 2% ao ano. Não haverá necessidade de utilizar os juros altos como âncora para segurar pressões inflacionárias, pois elas deixarão de existir.

Com preços deflacionados e juros civilizados, o custo de financiamento da dívida interna se reduzirá sensivelmente, ou seja, se por um lado a arrecadação de impostos cairá, por outro o governo desembolsará menos para rolar a dívida interna. Entra menos de um lado e sai menos do outro, impactando pouco o orçamento geral da União.

A arrecadação de impostos em 2017 alcançou a marca de 2 trilhões de reais. A dívida interna, que corresponde a 97% da dívida pública federal, chegou a 3,43 trilhões de reais, para um PIB que deve fechar 2017 em torno de 6 trilhões de reais (https://g1.globo.com/economia/noticia/divida-publica-sobe-143-em-2017-para-r-355-trilhoes-e-bate-recorde.ghtml e https://g1.globo.com/economia/educacao-financeira/noticia/brasileiros-ja-pagaram-r-2-trilhoes-em-impostos-em-2017.ghtml).

A título de exemplo, uma redução geral de impostos de 12%, próxima à americana, representaria, a grosso modo, uma redução de R$ 240 bilhões na arrecacação tributária. Entretanto, uma redução de 5,5% nas taxas de juros do país (de 7% para 1,5%) geraria uma economia de aproximadamente R$ 190 bilhões para os cofres públicos, ou seja, para os pagadores de impostos. Observe que a tendência é uma redução ainda maior nos impostos, pois não estamos considerando o "efeito cascata" destes na cadeia produtiva.

Essa diferença de R$ 50 bilhões seria rapidamente compensada pelo aquecimento da economia e redução do desemprego, consequência natural do aumento da renda real e da redução dos preços, contribuindo, inclusive, para um aumento na arrecadação de impostos. Em determinadas circunstâncias, menos pode significar mais (Curva de Laffer). Viu como o bicho não é tão feio assim.

Mas porque será difícil promover essas mudanças? Quem jogará contra? Por que os meios de comunicação de massa não tratam disso? Quem perde e quem ganha?

Quem ganha é a sociedade, o povo, que verá seu dinheiro render mais ao fazer as compras no mercado, ao pagar as contas do dia-a-dia e ao quitar suas dívidas. Com menos impostos e juros embutidos nos produtos e serviços, o suado dinheiro do trabalhador irá render muito mais.

Outra consequência benéfica da redução dos juros será estimular os poupadores a procurarem melhores retornos para seus investimentos, trocando o mercado financeiro por investimentos produtivos, ajudando a fomentar a produção e a aumentar a riqueza.

E quem perde? Bem, aí começam os problemas. Quem perde são os financiadores da dívida mobiliária federal e os grandes rentistas, que verão os juros internos se reduzirem e seus rendimentos idem. São poderosos banqueiros e gestores de fundos de investimento transnacionais, que não permanecerão inertes e farão de tudo para que as reformas não aconteçam.

Toda vez que o governo emite títulos públicos para rolar uma dívida que representa quase 70% do PIB, os compradores desses papéis fazem a festa com os juros altíssimos que recebem, praticamente sem riscos. São os principais bancos nacionais e estrangeiros, os grandes fundos de pensão, os milionários fundos de investimentos e outros grandes investidores institucionais, de dentro e fora do país.

Os bancos aliás, são um capítulo à parte nessa história. São as empresas que mais lucram no Brasil desde a década de 80 e isso é uma grande anomalia empresarial, uma vez que não produzem riqueza para o país. Lucram mais que todos os outros setores que atuam diretamente para gerar a riqueza que sustenta a nação.

Esses serão os grandes perdedores caso uma profunda reforma tributária seja implementada no país.

Mas aí você sentencia: então não vai acontecer, uma vez que os grandes banqueiros mandam no país e vivem dos juros altos e os políticos não votarão leis que reduzam a arrecadação, pois são “afinados” com o sistema financeiro e participam da “gestão” de tudo o que é arrecadado, para obterem vantagens legais e ilegais sobre esses recursos (benefícios de toda espécie, cargos de confiança, propinas, compra de votos, campanhas políticas caríssimas, fundo eleitoral com valores abusivos, e muito mais).

Pois é, talvez você tenha razão. Mas penso que desta vez será diferente, pois as mudanças serão impostas ao país por forças externas.

A estrutural reforma trabalhista americana forçará também a Europa a rever suas relações de troca, uma vez que, em relação à zona do euro, além de preços mais competitivos em futuro próximo, os Estados Unidos possuem historicamente um câmbio mais favorável, o que tornará seus produtos ainda mais atraentes aos europeus. É o que acontece hoje com os produtos chineses, cuja moeda é desvalorizada em relação ao dolar e ao euro.

O governo americano está acordando e os principais países europeus, com seus altos impostos e custos trabalhistas, serão impelidos a adotar políticas econômicas semelhantes à chinesa e americana.

Com a força da China, Estados Unidos e Europa a assombrar nossa combalida economia, o Brasil não terá outra alternativa a não ser promover mudanças estruturais, sendo a maior delas a reforma tributária, com redução sensível de impostos sobre produção e renda.

E nem pense em políticas protecionistas, como adoção de tarifas de importação abusivas e outras medidas para “fechar” o país para o exterior. Isso faria o Brasil reviver os anos 80, a “década perdida”, com perdas ainda maiores em produtividade e competitividade. Sem falar que, no mundo atual, com a globalização e informações em tempo real, a “ficha” cairia rápido e a sociedade perceberia logo que seria ela a pagar o pato pela incompetência e interesses alheios aos seus.

Vamos aguardar os próximos capítulos, 2018 e 2019 serão determinantes. Ou assim será, ou não existiremos mais como nação, ou projeto dela. O futuro chegou!

A chance de ouro que o governo Trump está dando ao Brasil – o limão

Neste último dezembro o presidente Donald Trump conseguiu uma vitória expressiva no congresso americano, com a aprovação de uma ampla reforma tributária, a mais importante dos últimos 30 anos, promovendo sensível redução de impostos para empresas e pessoas físicas. No caso das pessoas jurídicas, a redução média será de 35% para 21% (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/12/1944855-congresso-dos-estados-unidos-aprova-reforma-tributaria-de-trump.shtml e http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/trump-promulga-a-reforma-fiscal-mais-ambiciosa-em-30-anos).

A nossa grande mídia noticiou o fato, mas não deu a devida atenção ao assunto, que merece uma análise profunda pela sua amplitude e importância. A médio prazo, deverá impactar fortemente o comércio mundial e a economia brasileira em particular, uma vez que somos parceiros históricos dos americanos e “vizinhos” destes.

O professor Martin Feldstein, especialista em economia da Universidade de Harvard , em entrevista ao Jornal de Negócios de Portugal, afirma que “as taxas de imposto sobre as empresas têm vindo a cair por todo o mundo nas últimas décadas. A taxa nos EUA era anteriormente de 50% e as taxas em outros países da OCDE eram substancialmente mais elevadas do que a média actual de 25%. É possível que essa redução da taxa nos EUA leve a que outros países desenvolvidos reduzam as suas taxas de imposto para as empresas para melhorar a sua atractividade internacional para o capital móvel”.

Feldstein acrescenta que “Em suma, a legislação do Congresso, que nos próximos meses deverá mudar as regras fiscais para as empresas dos EUA, vai também ter um efeito importante nos fluxos internacionais de capital. Pode também ter efeitos significativos nas regras fiscais por todo o mundo” (http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/economistas/detalhe/as-consequencias-internacionais-da-reforma-fiscal-dos-estados-unidos).

Com estas medidas, o governo Trump está empenhado em estimular a criação de novos empregos nos Estados Unidos, melhorar a competitividade das empresas americanas e promover a repatriação da manufatura e dos lucros. Não é uma mudança conjuntural, e sim estrutural, a maior dos últimos 30 anos.

Uma reforma tributária dessa magnitude, ao reduzir fortemente os impostos, reduz também o custo operacional das empresas, que podem optar por (i) repassar essa vantagem para o preço final dos produtos mantendo a mesma margem de lucro - reduzindo preços, melhorando a competitividade e mantendo empregos, ou (ii) reduzir preços e também margem de lucro, naqueles produtos em que possuam preços competitivos - reduzindo ainda mais os preços desses produtos, para ganhar mercados, aumentar produção e contratar mais empregados.

As consequências dessas mudanças colocarão os Estados Unidos em condição de competir com a China em preços e qualidade, essa já historicamente superior aos produtos chineses. Ou seja, logo veremos o retorno dos produtos “made in USA” aos mercados, em condições e preços muito semelhantes aos produtos asiáticos.

E o Brasil, como é que fica nessa história? Não é preciso muita imaginação para perceber o tamanho da “encrenca” que nos aguarda. A nossa situação é muito preocupante. E é neste ponto que os nossos meios de comunicação estão falhando em alertar o país para a importância do assunto.

As consequências poderão ser dolorosas para a nossa economia, que já sofre pela incompetência e descaso dos nossos governantes e pela concorrência dos produtos asiáticos, com seus preços competitivos e qualidade melhorando a cada dia.

Qual ameaça nos espera?

A indústria brasileira reduziu sua participação no PIB de 21% em 1985 para 11% em 2015.


É importante lembrar que os 21% de participação de 33 anos atrás já não era um número muito bom naquela época, em comparação aos países desenvolvidos. Imagine os 11% de hoje.

Atualmente é mais barato comprar produtos dos Estados Unidos pela internet (da China nem se fala) do que ir ao shopping da esquina, mesmo considerando as taxas e o frete. Com a vantagem de não precisar sair de casa, não enfrentar trânsito, não pagar estacionamento, e não correr o risco de ser assaltado pelo caminho. Imagine quando os produtos dos “gringos” baixarem mais ainda.

A concorrência com os produtos chineses e americanos, ao mesmo tempo, com preços mais baixos e qualidade em geral superior, será quase insuportável para o Brasil. Já vivemos hoje os efeitos de uma desindustrialização enorme, que se espalha pela economia, uma vez que o setor terciário sofre diretamente os seus impactos, com o comércio e os serviços definhando, traduzidos em fechamento de empresas e placas de aluga-se e vende-se por todos os lados.

Para quem não lembra, o setor terciário da economia (comércio e serviços) depende muito dos setores primários e secundários (agronegócios e indústria). Nações com grandes dimensões territoriais geralmente dependem muito do setor primário e secundário para “puxar” o setor terciário. Apenas países pequenos e com vantagem comparativa muito específica em determinada área conseguem viver apenas de comércio e serviços (turismo, por exemplo).

As mudanças que estão ocorrendo nos Estados Unidos pegarão a economia brasileira no “contrapé”, já combalida e precária estruturalmente. Poderá ser o fim da indústria nacional, trazendo junto um aumento brutal do desemprego.

Somente se salvará a agroindústria, pelas nossas vantagens comparativas, ainda superiores, porém sem robustez suficiente para mudar o cenário. Saímos do terceiro mundo para o mundo em desenvolvimento, e corremos o risco de voltar para o terceiro mundo, com miséria, subdesenvolvimento e caos social.

Mas afinal, onde está a grande oportunidade? Falaremos nela no próximo post.

Quanto custa?

O velho ditado diz: tudo na vida tem seu preço. Costumo acrescentar: tudo na vida, que está à venda, tem seu preço. Aquilo que está à ve...