Era uma vez um pastor muito dedicado e
convincente. Ele pregava todo o dia na sua igreja, arrebatava uma quantidade
enorme de fiéis, tinha boas intenções e criticava todas as coisas erradas do
mundo e do seu país. Falava sobre ética em uma linguagem que todos
compreendiam, principalmente os mais pobres.
Mas como toda pessoa comum, esse pastor tinha
alguns amigos antigos, um tanto suspeitos, desviados da vida correta, mas
que mesmo assim eram seus amigos. Eles viviam convidando o pastor para ir à
zona, aquela zona mesmo, conhecida como baixo meretrício, a casa de tolerância,
da luz vermelha como se dizia antigamente. O pastor sempre recusava, alegava
compromissos éticos com sua igreja e seus seguidores, sempre fugindo à
tentação.
Mas o fato é que convivia muito com esses amigos
fora da igreja, até que um belo dia não resistiu a essa que é uma das fraquezas
da vida, e foi conhecer a “farra”. Ficou impressionado, boquiaberto. Não só
gostou como passou a ser um frequentador assíduo, se tornando um
legítimo habitué. Passou a se envolver em romances tórridos com muitas prostitutas por
madrugadas e madrugadas, noite após noite.
E assim o tempo foi passando. De dia o pastor
pregava, falava aos fiéis sobre a nobreza da vida, sobre princípios e
ética, sobre moral, trabalho e dignidade. À noite, se refestelava
em prazeres menos nobres, curtia a vida adoidado junto aos velhos
amigos e às novas beldades, entre tragos largos e roucas gargalhadas.
Até que um dia se apaixonou pelos encantos de uma
velha prostituta, antiga frequentadora do bordel e muito conhecida no meio. A
legítima “prata da casa”.
O pastor não resistiu e tirou a meretriz do
bordel, fez-lhe mil promessas e recebeu outras mil de volta. Marcaram o casamento.
Muitos foram os convidados para a grande festa. A maioria dos fiéis e
amigos foi ao casamento. Conheciam a procedência da moça, mas confiavam na sua
redenção. Beberam, comeram, comemoraram e vibraram muito, deram parabéns ao
noivo e até elogiaram a noiva: “realmente parece outra mulher, olha como
está linda, deslumbrante, nem parece aquela”.
Pois bem, passado algum tempo, aconteceu o
inevitável. Em meio à rotina da vida, nas idas e vindas do cotidiano, a velha prostituta resgatou o seu passado, que lhe falava mais forte,
mais intenso. Traiu o Pastor. Não só traiu como o abandonou. Foi-se embora a
viver um novo romance em outros braços.
O coitado ficou em estado de choque, em delírios,
enlouqueceu completamente, se consumiu em cólera e saiu bradando rua afora:
“fui traído, fui traído, me enganaram, minha esposa me traiu, sofri um golpe,
um golpe...”.
Essa é a história do PT com o PMDB.
Aqueles que tinham olhos de ver sabiam que essa
história não terminaria bem. É muito difícil terminar bem aquilo que já começa
mal. E quando se faz coisas erradas conscientemente, pior ainda.
Mas a maioria dos fiéis compareceu ao casamento,
comemorou e elogiou a noiva. Agora estavam todos estupefatos, incrédulos,
boquiabertos. No fervor da alegria, durante a grande “festa da democracia”, não
foram capazes de alertar o noivo para os riscos daquele propósito. Ao
contrário, calaram-se e divertiram-se. Fecharam os olhos para o passado da
noiva, que todos conheciam. Agora estavam lá, todos juntos se
solidarizando com o noivo, uma “pobre vítima”.
Eis a personificação da hipocrisia.
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