segunda-feira, 15 de maio de 2017

Uma fábula brasileira

Era uma vez um pastor muito dedicado e convincente. Ele pregava todo o dia na sua igreja, arrebatava uma quantidade enorme de fiéis, tinha boas intenções e criticava todas as coisas erradas do mundo e do seu país. Falava sobre ética em uma linguagem que todos compreendiam, principalmente os mais pobres.

Mas como toda pessoa comum, esse pastor tinha alguns amigos antigos, um tanto suspeitos, desviados da vida correta, mas que mesmo assim eram seus amigos. Eles viviam convidando o pastor para ir à zona, aquela zona mesmo, conhecida como baixo meretrício, a casa de tolerância, da luz vermelha como se dizia antigamente. O pastor sempre recusava, alegava compromissos éticos com sua igreja e seus seguidores, sempre fugindo à tentação.

Mas o fato é que convivia muito com esses amigos fora da igreja, até que um belo dia não resistiu a essa que é uma das fraquezas da vida, e foi conhecer a “farra”. Ficou impressionado, boquiaberto. Não só gostou como passou a ser um frequentador assíduo, se tornando um legítimo habitué. Passou a se envolver em romances tórridos com muitas prostitutas por madrugadas e madrugadas, noite após noite.

E assim o tempo foi passando. De dia o pastor pregava, falava aos fiéis sobre a nobreza da vida, sobre princípios e ética, sobre moral, trabalho e dignidade. À noite, se refestelava em prazeres menos nobres, curtia a vida adoidado junto aos velhos amigos e às novas beldades, entre tragos largos e roucas gargalhadas.

Até que um dia se apaixonou pelos encantos de uma velha prostituta, antiga frequentadora do bordel e muito conhecida no meio. A legítima “prata da casa”.

O pastor não resistiu e tirou a meretriz do bordel, fez-lhe mil promessas e recebeu outras mil de volta. Marcaram o casamento. Muitos foram os convidados para a grande festa. A maioria dos fiéis e amigos foi ao casamento. Conheciam a procedência da moça, mas confiavam na sua redenção. Beberam, comeram, comemoraram e vibraram muito, deram parabéns ao noivo e até elogiaram a noiva: “realmente parece outra mulher, olha como está linda, deslumbrante, nem parece aquela”.

Pois bem, passado algum tempo, aconteceu o inevitável. Em meio à rotina da vida, nas idas e vindas do cotidiano, a velha prostituta resgatou o seu passado, que lhe falava mais forte, mais intenso. Traiu o Pastor. Não só traiu como o abandonou. Foi-se embora a viver um novo romance em outros braços.

O coitado ficou em estado de choque, em delírios, enlouqueceu completamente, se consumiu em cólera e saiu bradando rua afora: “fui traído, fui traído, me enganaram, minha esposa me traiu, sofri um golpe, um golpe...”.

Essa é a história do PT com o PMDB.

Aqueles que tinham olhos de ver sabiam que essa história não terminaria bem. É muito difícil terminar bem aquilo que já começa mal. E quando se faz coisas erradas conscientemente, pior ainda.

Mas a maioria dos fiéis compareceu ao casamento, comemorou e elogiou a noiva. Agora estavam todos estupefatos, incrédulos, boquiabertos. No fervor da alegria, durante a grande “festa da democracia”, não foram capazes de alertar o noivo para os riscos daquele propósito. Ao contrário, calaram-se e divertiram-se. Fecharam os olhos para o passado da noiva, que todos conheciam. Agora estavam lá, todos juntos se solidarizando com o noivo, uma “pobre vítima”.

Eis a personificação da hipocrisia. 

Um comentário:

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