Existe uma grande confusão quando se
fala em distribuição de riqueza, concentração de riqueza, desigualdade social,
justiça ou injustiça social e desigualdade econômica.
Existem também inúmeras situações que
podem ser consideradas exemplos de injustiças - ou injustiças sociais - como
preferem alguns. Entretanto, colocar todos estes conceitos e exemplos num mesmo
saco, na melhor das hipóteses, é deixar de contribuir para uma compreensão mais
profunda sobre tão importante problema social.
Digo isso porque há pessoas e grupos de
interesses que conhecem muito bem estas diferenças, mas preferem justamente
“encher” o referido saco (literalmente) com todas estas ideias bem misturadas, propositalmente,
para confundir ainda mais as pessoas e tirar proveito disto, apostando na superficialidade
com que o povo, de um modo geral, trata o assunto.
Como a abordagem da justiça social é
muito ampla, gostaria de chamar a atenção para algumas questões econômicas que
muitas vezes são rotuladas dentro desse conceito, e que acabam por carregar uma
má fama na carona de outras grandes injustiças que acontecem no mundo e em
nosso país.
Especificamente sobre a questão da
desigualdade econômica, um grande perigo que se corre ao nivelar tudo como
injustiça social, é perder o foco e a oportunidade de entender realmente as
causas que estão por trás das disparidades de produtividade e de renda que
existem em todas as sociedades. E quando o diagnóstico está errado, a tendência
é o remédio piorar as coisas.
Em artigo publicado recentemente no site
do Instituto Mises Brasil, o economista Walter Williams, professor honorário de
economia na George Mason University, faz uma excelente distinção sobre estes
conceitos, abordando o assunto de forma clara, lembrando sempre que desigualdade
não é a mesma coisa que pobreza:
“Segundo as
estatísticas compiladas pelo economista britânico Angus Maddison, passamos de
uma renda per capita mundial de 1.130 dólares por ano em 1820 para uma de
15.600 em 2015. E isso ao mesmo tempo em que a população global aumentou de 1
bilhão de pessoas para 7 bilhões. (Veja o estudo. Confira
também este vídeo).”
“Saber que a
renda anual de uma pessoa é de $5.000.000 e que a renda de outra pessoa é de
$12.000 é algo que não nos diz absolutamente nada sobre justiça econômica e
social. Para determinar se realmente houve injustiça econômica e social é
necessário fazer perguntas sobre o processo de enriquecimento”.
“A maioria das
pessoas que faz pontificações altivas sobre desigualdade econômica — inclusive
economistas, para vergonha geral — simplesmente não reconhece, ou não deixa
explícito, que a renda de uma pessoa é resultado de algo que ela fez. Sendo
assim, apenas observar um determinado resultado não pode ser utilizado para
determinar se houve justiça, isonomia e sensatez”.
“Não é a riqueza que dá valor à renda, mas sim a renda que dá valor à
riqueza. O valor de um terreno não depende do terreno em si mesmo, mas sim
do valor de todos os serviços que ele permite”.
Ter uma ideia mais clara e aprofundada
sobre este tão instigante tema é muito importante para que possamos pensar em soluções
corretas e aplicáveis. Para ler o artigo completo acesse https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2921
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