No artigo anterior afirmei que os
políticos brasileiros não querem o parlamentarismo, pois é muito mais fácil
negociar propinas no sistema presidencialista, uma vez que o PRESIDENCIALISMO
FACILITA A CORRUPÇÃO E POR ISSO É O SISTEMA PREFERIDO DOS POLÍTICOS. Agora
vamos entender os motivos pelos quais os políticos corruptos adoram esse
sistema.
No sistema parlamentarista, a gestão do
país é dividida entre as atribuições do primeiro-ministro (com o conselho de ministros) e do presidente da república, cujas responsabilidades são distintas e bem definidas, com representatividades complementares.
Já no presidencialismo, a gestão do governo fica nas mãos do presidente da república, que possui a chave do cofre do país (recursos do tesouro nacional), a caneta das nomeações para cargos importantes (diário oficial da união) e, em última instância, promulga ou veta as leis que passam pelo congresso nacional.
Já no presidencialismo, a gestão do governo fica nas mãos do presidente da república, que possui a chave do cofre do país (recursos do tesouro nacional), a caneta das nomeações para cargos importantes (diário oficial da união) e, em última instância, promulga ou veta as leis que passam pelo congresso nacional.
Então já dá para entender como funciona a
malandragem política: o presidente faz coalizão com alguns grupos políticos
(deputados e senadores) e estes grupos apoiam o governo em suas decisões DESDE
QUE o governo coloque dinheiro na mão destes grupos que o apoiam (emendas parlamentares, nomeações para cargos com salários e orçamentos polpudos). Simples. E assim
cria-se o famoso toma-lá-dá-cá, o câncer nacional: o governo dá dinheiro e os
parlamentares devolvem com os votos que o governo quer.
Esta politicagem, que não merece ser
chamada de política, é a porteira aberta para todo o tipo de corrupção, pois a
pauta passa a ser o interesse dos grupos que apoiam o governo e não mais as
demandas da sociedade. Isso ocorreu no governo do PSDB, durante a gestão de
Fernando Henrique Cardoso, em que o PMDB garantia a “governabilidade” aprovando
medidas de interesse do governo, desde que “alinhadas” aos interesses do
próprio PMDB, é claro. E também ocorreu durante os governos do PT, quando a
base aliada aprovava medidas de interesse do governo em troca de cargos e
verbas (primeiro o PFL e PL com Lula e depois o PMDB com Dilma).
No sistema parlamentarista fica mais
difícil essa composição política que proporciona a “compra” de deputados e senadores,
uma vez que outros personagens entram na história, dividindo e limitando
poderes, dificultando a malandragem do toma-lá-dá-cá.
No parlamentarismo, a governança do país
é dividida entre a chefia do estado e a chefia do governo (presidente e
primeiro-ministro), deixando de ser concentrada somente nas mãos do presidente.
Isso se chama segregação de funções, medida que reduz o poder de ambos e complica
a politicagem da compra de votos, nomeações por interesses, etc.
A segregação de funções existente no
parlamentarismo divide a gestão do governo da mesma forma que a governança
corporativa funciona nos grandes grupos empresariais. O MODELO DE GESTÃO
PARLAMENTARISTA É ANÁLOGO À GESTÃO PROFISSIONAL QUE EXISTE NAS GRANDES CORPORAÇÕES.
A moderna governança corporativa separa
as decisões que envolvem o patrimônio das organizações das decisões que
envolvem o dia-a-dia dos negócios. As decisões estratégicas são responsabilidade
do Conselho de Administração (formulação do planejamento, políticas e
diretrizes estratégicas) e as decisões de negócio são atribuições do Conselho
Diretor (gestão comercial, financeira, contábil, recursos humanos).
Todas as decisões relacionadas ao patrimônio empresarial, à finalidade da empresa, sua visão de futuro, são
tomadas pelos donos do negócio, via Conselho de Administração. E as decisões
diárias da gestão são tomadas pelos dirigentes nomeados para estas funções. No
caso de um país, o “dono da empresa” é o povo, a sociedade, que elege seus
representantes. A partir dessa procuração da sociedade, os representantes
escolhem os dirigentes que administrarão o país (nomeados pelo próprio
presidente ou pelo parlamento, conforme o tipo de parlamentarismo adotado).
Nas organizações, a separação entre a
propriedade e a gestão opera no sentido de profissionalizar as decisões e
evitar que problemas particulares afetem o ambiente empresarial (brigas de
família, sucessão, vaidades pessoais, retiradas de capital em desacordo com os
fluxos, conchavos). No sistema parlamentarista, o presidente da república é o
chefe de estado e o primeiro-ministro, o chefe de governo. Essa segregação de
funções já é um grande avanço em relação ao presidencialismo e é o primeiro
passo para coibir a malandragem política, como veremos adiante.
E como funcionam as atribuições do chefe
de estado e do chefe de governo no parlamentarismo? Como se dá essa segregação
que dificulta a corrupção e o jogo de interesses políticos?
Em virtude de ser também cidadão
italiano, nos últimos anos tenho participado e acompanhado mais atentamente as eleições italianas e as decisões do parlamento europeu sobre o assunto, incluindo os sistemas francês e português, todos parlamentaristas,
com pequenas variações.
Acredito que nenhum dos três sistemas
poderia ser adotado integralmente pelo Brasil, pois imputam muita responsabilidade
e confiança ao parlamento. Mas acho possível desenvolver um parlamentarismo para
o nosso país a partir destes modelos, com algumas adaptações que os tornariam
mais rígidos e com maior segregação de poder, características essenciais para funcionarem
por aqui.
Então, após todas as considerações acima, vamos começar a pensar num modelo para o Brasil, sempre lembrando que É PRECISO FORMULAR UM SISTEMA QUE SEJA AUTO PROTEGIDO EM RELAÇÃO À CLASSE POLÍTICA NACIONAL.
No próximo artigo veremos alguns exemplos positivos e negativos dos sistemas parlamentaristas de Itália, França e Portugal, analisando o que poderia ser aplicado e o que deveria ser evitado por aqui.
Então, após todas as considerações acima, vamos começar a pensar num modelo para o Brasil, sempre lembrando que É PRECISO FORMULAR UM SISTEMA QUE SEJA AUTO PROTEGIDO EM RELAÇÃO À CLASSE POLÍTICA NACIONAL.
No próximo artigo veremos alguns exemplos positivos e negativos dos sistemas parlamentaristas de Itália, França e Portugal, analisando o que poderia ser aplicado e o que deveria ser evitado por aqui.

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