É possível que nas organizações existam gestores
que não são líderes? É possível que existam líderes que não são gestores? É
possível que os gestores sejam também líderes? Ou que as organizações nem percebam
seus verdadeiros líderes? Acredito que a resposta para todas as perguntas seja
sim.
Há
uma farta literatura sobre a formação de líderes e gestores, mas pode-se
aceitar que, para alguém ser considerado um líder, deve conquistar o respeito e
a confiança dos seus colegas.
Da
mesma forma, e em consequência da confiança e do respeito, deve existir a
representatividade, ou seja, seus colegas ou subordinados precisam se sentir
representados pelo seu líder. Ninguém se sente representado por alguém que não
confia ou não respeita.
Por
fim, quando um grupo se sente representado por alguém que conquistou sua
confiança e respeito, pode-se dizer que essa pessoa é um legítimo representante
desse grupo. Daí a questão da legitimidade.
Então,
podemos concluir que a liderança exige, no mínimo, três requisitos básicos: o
respeito/confiança, a representatividade e a legitimidade. Veja que ainda não
estamos falando em competência e capacidade.
Agora,
com muita calma, vamos fazer um exercício de “engenharia reversa”. A
legitimidade vem da representatividade e a representatividade vem da confiança
e do respeito. Assim pergunta-se: como um profissional deve atuar para
conquistar a confiança e o respeito das pessoas com as quais se relaciona em
seu trabalho?
O
respeito e a confiança nascem e se fortalecem através das relações humanas
cotidianas vivenciadas por um grupo em um ambiente de trabalho. Pode-se dizer
que é a viga mestra de uma construção muito lenta que sustenta relações
interpessoais muito instáveis, onde diversos interesses se cruzam e muitas
vezes se conflitam, em ambientes onde circulam a concorrência, a inveja, a
vaidade, o egocentrismo, o excesso de individualismo, e muito mais.
São
ambientes em que muitas carreiras são construídas através da imagem, do relacionamento
privado e do marketing pessoal, onde os princípios éticos, a qualidade dos
trabalhos e a imparcialidade das decisões tornam-se menos importantes.
O
mundo empresarial não é justo, ganha-se aquilo que se negocia. Esta é uma velha
frase que ouvi muito tempo atrás, mas que é sempre atual. É como a história da
galinha e da pata. O ovo da pata é melhor, maior e com mais nutrientes, mas a
pata trabalha silenciosamente, é muito discreta. Já a galinha, embora ofereça
um produto de menor qualidade, canta mais e faz um barulho imenso, anunciando
“seu produto”.
É
claro que a pata é melhor, mas a galinha aparece mais. E no mundo empresarial
ainda temos as galinhas que terceirizam a produção. Nem ovos produzem, apenas
cantam e se aproveitam de “ovos” produzidos por outros.
Nenhum
gestor será líder se não conhecer a função que gerencia. Nenhum gestor
conquistará a confiança e o respeito de uma equipe enquanto precisar “comer na
mão de alguém” que conhece mais do que ele. Nenhum gestor será líder enquanto
não for ele próprio um exemplo a ser seguido, tanto em ética e princípios como
em competência e capacidade para exercer a função para a qual foi designado.
Um
gestor não precisa ser operacional, não precisa e não deve “colocar a mão na
massa”. Um gestor deve gerenciar e administrar uma série de fatores que
envolvem o dia-a-dia dos negócios. Entretanto deve saber fazer, precisa ter o
conhecimento daquilo que gerencia. Ninguém adquire competência e capacidade sem
a experiência profissional naquilo que pretende gerenciar.
Você
não precisa fazer, mas se você manda e não sabe fazer, suas hesitações e
contradições logo transparecerão e serão percebidas como fraquezas. Você será
desacreditado pelas pessoas que o rodeiam e será muito difícil reverter essa
situação. Você perde, a equipe perde e a organização perde. Em uma situação
dessas não há ganhadores. É o momento em que a galinha perde a voz.
A
formação profissional é muito importante para a gestão, mas só a experiência
profissional é capaz de nutrir a confiança e o respeito. O seu MBA ou o seu
Doutorado não serão respeitados se você não demonstrar que entende daquilo que
fala.
Esse
é um grande desafio imposto às organizações: conseguir mensurar a experiência
profissional e o quanto ela impacta a formação de líderes. Como quantificar,
estratificar e qualificar a experiência profissional, principalmente daquele
colaborador que já trabalha na empresa ou na área? Como implantar uma
metodologia que possa medir essa experiência profissional, que vai se formando
ao longo do tempo pelos trabalhos realizados, pela diversidade de situações
vividas no ambiente de trabalho, pelas diversas unidades, setores e
departamentos por onde atuou?
É
desta forma que se faz um gestor que também será respeitado pelos seus pares e
subordinados. É desta forma que a representatividade e a legitimidade se dará.
Lembram-se
das perguntas iniciais formuladas?
Uma
empresa que tem gestores que não são líderes, ou que não percebe ou valoriza
seus verdadeiros líderes, estará, no longo prazo, desestruturando sua
organização interna, aumentando seu retrabalho, destruindo riqueza e, caso não
reverta tudo isso, cavando seu túmulo.
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