Uma empresa não quebra por falta de
lucro, e sim por falta de caixa. Essa é uma das máximas da administração
financeira. Não é o lucro ou o prejuízo que definem a insolvência de um
empreendimento, mas sim a sua incapacidade em gerar fluxo de caixa positivo
(entradas de caixa superiores às despesas correntes).
Existem vários exemplos de empresas que
passaram longos períodos em situação concordatária (à época) ou de recuperação judicial, conseguindo reverter, ao longo do tempo, contextos econômicos e financeiros altamente
desfavorável, simplesmente por serem empreendimentos com grande capacidade de
gerar caixa de forma contínua.
Podemos citar os casos da Bombril nos anos
90 e de empresas de energia, como a Light e Cemig, mais recentemente, que passaram
por dificuldades operacionais graves e mesmo assim conseguiram manter suas
gerações de caixa em níveis satisfatórios para suportar as dificuldades advindas e os desmandos
cometidos (algumas com forte interferência estatal em detrimento da boa gestão
corporativa).
Um empreendimento pode suportar
dificuldades e problemas econômicos ou setoriais, sazonais ou não, até retornos
negativos advindos de gestão temerária, por um bom período de tempo, desde que
sua geração de caixa seja robusta e constante.
O lucro ou prejuízo lançado na
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é mero registro fotográfico de um
momento, de uma data, mas corresponde a toda uma sequência de transações, fatos
contábeis e decisões administrativas ocorridas em um determinado período de
tempo, onde o resultado final é uma consequência destes acontecimentos e não
sua causa.
Esse é o ponto: o lucro ou prejuízo são
o resultado das escolhas e decisões tomadas ao longo do tempo, onde os fluxos
de caixa acontecem em função destas escolhas e se “materializam” ao final de
determinado período como resultado do exercício contábil.
Uma empresa faz investimentos ao longo
do tempo e espera obter lucro como resultado desses esforços. Precisa investir recursos financeiros, materiais, pessoais,
tecnológicos, dentre outros, buscando fontes de capital para viabilizar tais investimentos. Este capital pode ser dos próprios sócios ou de terceiros.
No Balanço Patrimonial das empresas (BP)
os investimentos são registrados no ATIVO e os recursos captados, próprios ou
de terceiros, no PASSIVO. Assim, temos no Ativo as aplicações de recursos e no
Passivo as fontes de recursos.
As fontes de recursos próprias e de
terceiros, registradas no Passivo, possuem características onerosas à empresa,
pois exigem uma remuneração aos terceiros que emprestaram recursos ao negócio e
também criam uma expectativa de retorno aos sócios que investiram na sociedade,
o velho e bom lucro.
Assim, espera-se que os investimentos
realizados no Ativo criem margem de ganho superior ao custo dos capitais
próprios e de terceiros (Margem Operacional Líquida > Custo Médio Ponderado
de Capital), além de bancarem os custos operacionais envolvidos com a produção, salários dos empregados,
encargos trabalhistas e impostos diversos, dentre outros, para que o Retorno
dos Investimentos seja positivo (Lucro Operacional Líquido/Ativo Total).
Após essa introdução à Análise Econômica e Financeira de Empresas, poderíamos pensar em aplicar estes conceitos à administração econômica e financeira cotidiana das pessoas físicas, em suas relações comerciais e de negócios em geral. Imagine você administrando sua vida financeira como se fosse uma empresa que capta e aplica recursos com o objetivo de gerar margem positiva e lucro ao final do “exercício contábil”.
Parece uma boa ideia, afinal, assim como nas empresas, uma pessoa física precisa de renda para sobreviver e custear as despesas do dia-a-dia. Precisa gerar caixa. De que adiante ter patrimônio se estes bens não forem capazes de gerar renda contínua para comprar o leite, o pão, pagar a escola das crianças e as despesas do condomínio, por exemplo?
Após essa introdução à Análise Econômica e Financeira de Empresas, poderíamos pensar em aplicar estes conceitos à administração econômica e financeira cotidiana das pessoas físicas, em suas relações comerciais e de negócios em geral. Imagine você administrando sua vida financeira como se fosse uma empresa que capta e aplica recursos com o objetivo de gerar margem positiva e lucro ao final do “exercício contábil”.
Parece uma boa ideia, afinal, assim como nas empresas, uma pessoa física precisa de renda para sobreviver e custear as despesas do dia-a-dia. Precisa gerar caixa. De que adiante ter patrimônio se estes bens não forem capazes de gerar renda contínua para comprar o leite, o pão, pagar a escola das crianças e as despesas do condomínio, por exemplo?
No entanto, para colocarmos em prática essa ideia seria necessário pensar sobre alguns pontos: Como estruturar o Balanço Patrimonial de uma pessoa física? Como seria a política de investimentos? E a estratégia de captação de recursos?
Qual o apetite de risco e o limite de exposição ao risco de liquidez, por
exemplo? Como identificar corretamente os investimentos que geram caixa positivo?
E aqueles bens e direitos que parecem ativos, mas que na verdade são passivos,
ou seja, geram mais despesas que receitas? Como administrá-los? Como calcular o custo desses passivos?
Vamos explorar melhor essas questões nos próximos artigos sobre o assunto.
Vamos explorar melhor essas questões nos próximos artigos sobre o assunto.
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