terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O Balanço Patrimonial da Pessoa Física – parte 2

Prosseguindo com as nossas reflexões iniciadas no post anterior, seguem mais algumas questões antes de começarmos a montar o nosso Balanço Patrimonial:

- Qual bem é mais valioso quando se pensa em adquirir um veículo: Uma BMW X6 zero km, que custa em torno de R$ 350.000,00, ou um furgão Mercedes Sprinter 2006, que custa em torno de R$ 70.000,00?

Lembre-se sempre que o nosso objetivo é administrar a vida de uma pessoa física como se fosse uma empresa, com o foco na geração de caixa. Sendo assim, é claro que o bem mais valioso é o furgão, que pode e deve ser utilizado para gerar renda, ao contrário da MBW, um bem de uso pessoal que só gera despesas, não empregável em atividade comercial ou de serviços.

Neste contexto, o furgão poderá ser utilizado em alguma atividade produtiva e será registrado no BP PF como um ATIVO, desde que as receitas geradas sejam superiores às despesas da operação (manutenção, depreciação, seguro, impostos e uso em geral).

Registre-se que a BMW tende a ter custos gerais maiores que o furgão, uma vez que as despesas de impostos e depreciação dos carros novos impactam mais nos primeiros anos. Também deve ser incluída nessa conta o custo de oportunidade do capital, que poderia estar rendendo juros em uma aplicação financeira de baixo risco (títulos públicos, por exemplo), ao invés de estar gerando custos e sofrendo depreciação.

Desta forma, a BMW deve ser registrada no PASSIVO, por ser um fator gerador de despesas e por não contribuir para a geração de receitas da pessoa física. Além disso, a opção de compra do furgão leva a uma economia de R$ 280.000,00, que poderão ser investidos em outra atividade produtiva ou numa aplicação financeira de baixo risco, para render juros e gerar caixa, fazendo com que tal investimento também seja classificado como um ATIVO.

Neste contexto, vale também uma regra simples que uso desde muito tempo: o gasto com veículo de passeio nunca poderá ultrapassar 10% do patrimônio pessoal, ou seja, se o seu patrimônio soma R$ 500.000,00, você poderia destinar, no máximo, R$ 50.000,00 para a “rubrica contábil veículos”. Caso seu patrimônio seja em torno de R$ 1 milhão, no máximo R$ 100 mil.

E pense bem antes de comprar um carro zero quilometro, pois a depreciação e o custo de rodagem nos primeiros anos são enormes. E ainda pior é comprar carro zero financiado. Aí não há fórmula financeira que resolva.

Veja bem, não estou aqui pregando que as pessoas não devam comprar carros ou outros artigos de luxo, mas apenas lembrando quanto custam esses bens em nossa vida financeira. Cada um sabe das suas possibilidades e, muitas vezes, as emoções se sobrepõem à razão. O importante é ter consciência da escolha que se está fazendo.

É desta forma que as decisões tomadas ao longo do tempo vão construindo os ativos e passivos que carregamos durante a vida e escrevendo a história financeira de cada um, com seus sucessos e fracassos.

Continuaremos exercitando nosso novo paradigma financeiro nos próximos artigos.

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